Cortina de fumaça: Petrobrás acelera plano de privatização em meio à pandemia

Nesta semana, a estatal anunciou a venda de suas ações na Gaspetro e no campo de Manati, na Bahia

Para o diretor da FUP, Deyvid Bacelar, os anúncios fazem parte do plano da atual gestão de restringir atuação da Petrobrás à exploração do pré-sal (Foto: Divulgação)

Na segunda-feira (4), a Petrobrás anunciou a venda da sua participação no consórcio de exploração de petróleo no campo de Manati, localizado na Bacia de Camamu, na Bahia. Além de operadora do campo, a estatal possui 35% de participação no campo que em 2019 teve produção média de 105 barris por dia de condensado de petróleo e 1.269 mil metros cúbicos por dia de gás.

No mesmo dia, a gestão de Roberto Castello Branco reabriu o processo de venda do que resta de sua participação na Petrobras Gás S.A. (Gaspetro), que atualmente soma 51%. Os interessados poderão manifestar interesse de compra até o dia 15 de maio. Os outros 49% da holding já haviam sido vendidos à empresa Mitsui em 2015.

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Esse ano de 2015, inclusive, marca o início da inflexão da Petrobrás enquanto empresa integrada e de expansão para outros setores da energia. Esta é a opinião do diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar. “Esse movimento da gestão da Petrobrás ocorre desde 2015 e com maior força a partir de 2016, com o golpe de Estado. O que já estava no Plano de Desinvestimentos, agora está sendo acelerado. Eles estão querendo vender tudo aquilo que não é exploração e produção de petróleo e gás no pré-sal”, afirma.

Como o campo de Manati está fora do pré-sal, localizado em águas rasas a uma distância de 10 quilômetros do município de Cairú (BA), a atual gestão da Petrobrás também o retirou dos planos da companhia. “A Petrobrás vai sair por completo de todas as plataformas de águas rasas e atividades terrestres de petróleo e gás, para ficar apenas na exploração e produção do pré-sal brasileiro”, explica Bacelar.

Além da abertura de venda de sua participação em Manati, a Petrobrás já havia anunciado em abril a hibernação de 62 plataformas em campos de águas rasas nas bacias de Campos, Sergipe, Potiguar e Ceará.

Bacelar alerta para as perdas diretas e indiretas que decorrerão dessas medidas. “No caso da Bahia, especificamente, o impacto de arrecadação estadual e municipal é gigantesco. Em relação aos royalties e participações especiais a gente tá falando de um montante de R$ 170 milhões por ano para o estado e de R$ 200 milhões aos treze municípios produtores”, aponta.

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No caso da Gaspetro os efeitos econômicos ainda não são mensuráveis, mas despertam atenção dos entes federativos. O Consórcio Nordeste, formado pelos nove estados da região, já estuda a compra dos ativos da Petrobrás na Gaspetro, que detém participação societária em diversas companhias distribuidoras de gás estaduais.

“Na opinião da FUP, a situação poderia ter sido amenizada pela atual gestão se ela fizesse a Petrobrás cumprir seu papel social, que está no seu estatuto. Mas a gestão [do presidente Roberto] Castello Branco não está preocupada com os impactos gigantescos que teremos nesses municípios e estados com a parada dessas atividades”, denuncia Bacelar.

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