Correios não apresenta proposta e paralisação continua

 

Greve nacional atinge 70% da categoria

 

Após mais de seis horas de reunião mediada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), na quinta-feira, 12, representantes dos correios e da categoria não chegaram a nenhum acordo e a paralisação nacional dos trabalhadores está mantida, pelo menos até esta terça-feira, 17.  A greve teve início no dia 10, com uma pauta semelhante à dos petroleiros: garantir a manutenção dos direitos previstos no ACT e lutar contra a privatização da mais antiga empresa/instituição do país (o Correio-mor, no Rio de Janeiro, data de 1663). A atual ECT (Empresa de Correios e Telégrafos) foi fundada em 20 de março de 1969.

Na reunião de conciliação mediada pelo ministro Maurício Godinho Delgado, do TST, a direção dos Correios não apresentou nenhuma nova proposta. A empresa, que de início se negou a negociar com a categoria e propôs retirar mais de 40 cláusulas que impactam financeira e socialmente a vida dos trabalhadores, entrou na Justiça questionando a legalidade da paralisação com um pedido de dissídio de greve, que já atinge mais de 70% da categoria. A audiência de dissídio está marcada para ocorrer dia 2 de outubro.

“Foram seis horas de audiência e a empresa continua intransigente, não apresentou nenhuma proposta e ainda mandou representantes que não podiam decidir nada. E, além disso, esta proposta do TST é válida até o dia 2 e ninguém pode garantir que nossos direitos serão mantidos no próximo ACT, mas quem vai decidir serão os trabalhadores no dia 17”, afirmou, para o site da CUT, o Secretário-Geral da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), José Rivaldo da Silva.

Na assembleia marcada para este dia 17, trabalhadores/as dos Correios irão decidir nacionalmente se suspendem a greve até o julgamento do dissídio; em contrapartida a empresa se compromete a não descontar os dias parados e garantir a extensão do atual ACT até o dia 2 do próximo mês.

 

Luta contra a privatização

Assim como a Petrobrás, os Correios estão na mira do governo entreguista. A categoria denuncia o atual presidente da empresa, General Floriano Peixoto, de improbidade administrativa devido à irresponsabilidade de tirar da população o acesso aos serviços prestados pelos Correios, que atinge os 5570 municípios.

Muitas regiões do país não contam com postos bancários e a única alternativa para as famílias pagarem diversas contas são as agências dos Correios; com a empresa privatizada, não há mais nenhuma garantia de continuidade desse tipo de serviço. “Assim como os bancos não têm interesse em ir nessas regiões afastadas porque não dá lucro, se nosso Correio for privatizado será a mesma coisa”, analisou o funcionário FTS, de uma agência paralisada no centro de São Paulo.

Além do pagamento de contas, os Correios são responsáveis pela logística das eleições (levar as urnas em todos os cantos desse país, às vezes das formas mais adversas), pela entrega de livros, uniforme escolar, merenda e kits escolares e pela distribuição das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e remédios por todo país. Em um Correio privatizado, esses serviços continuarão a existir? Se sim, com qual custo para a população e para o próprio governo.

Os Correios são mais que uma empresa, são uma instituição para o país e um serviço tão estratégico que até nos EUA o serviço é controlado pelo Estado. E, além de tudo, um serviço lucrativo: nos dois últimos anos, os Correios registraram lucro de R$ 828 milhões – R$ 667 milhões em 2017 e R$ 161 milhões em 2018.

“Nós, petroleiros, apoiamos a luta dos trabalhadores e trabalhadoras dos Correios, que é por dignidade, por direitos e pela manutenção da empresa pública, uma luta que também nós estamos enfrentando”, destaca o coordenador da Regional Campinas, Gustavo Marsaioli.

 

Com informações de Erica Aragão/CUT

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