Congresso Estadual: perfil da categoria mudou

Texto e fotos: Norian Segatto

Confira a transmissão da mesa aqui

A segunda mesa de debates do Congresso Estadual do Unificado, ocorrido na tarde da quinta-feira, 25, foi dedicada a mostrar o novo perfil do trabalhador petroleiro e como isso altera as relações de trabalho e a luta sindical. O estudo foi apresentado pelo economista do Dieese, Cloviomar Cararine.

Antes de sua apresentação, a diretora da FUP e do Unificado, Cibele Vieira, mostrou dados da pesquisa Percepções e valores políticos nas periferias de São Paulo elaborada pela Fundação Perseu Abramo. O estudo mostra as relações socioculturais, políticas, religiosas e de trabalho, de uma vasta população quase invisível para os estratos mais altos da sociedade. “É uma população que alimenta o sentido de ‘pertencimento’ no seu território e na sociedade, isso explica várias coisas, entre elas, a influência das igrejas neo-pentecostais”, afirmou Cibele. A íntegra da pesquisa pode ser acessada aqui.

 

Aquela Petrobrás não existe mais
Cloviomar Cararine, economista do Dieese

Cloviomar Cararine iniciou sua fala “alertando” que a “Petrobrás, como conhecíamos nos governos anteriores, não existe mais, é outra empresa”. O economista apresentou dados sobre o número de empregados, os movimentos de saída pelos PIDV e as mudanças na formação da gestão da empresa.

Confira alguns números apresentados no estudo:

Número de trabalhadores. Esse dado indica que em dois períodos houve forte incremento da mão de obra, no período nacionalista do regime militar (segunda metade dos anos 80) e nos governos Lula e Dilma. Na via oposta, a empresa cortou postos de trabalho no governo Fernando Henrique e volta a fazer agora nos governos Temer e Bolsonaro.

  • 1958 – 17.704
  • 2000 – 38.000
  • 2014 – 86.106
  • 2018 – 61.361

Trabalhadores terceirizados. O elevado número de terceirizados em 2013 se explica pela política de investimentos e construção/expansão/modernização de unidades. Com o desmonte da empresa promovido por Temer e Bolsonaro, esse número caiu para menos da metade.

  • 2013 – 300 mil
  • 2018 – 116 mil

 

Vantagem dos PIDVs para a empresa.

  • Gastos com PIDV – R$ 5,5 bilhões
  • Economia – R$ 19 bilhões

Atualmente, 78% dos empregados têm menos de 20 anos de Petrobrás, invertendo uma estatística histórica da empresa. Isso ocorreu por conta de os PIDVs mirarem, principalmente, os mais antigos de casa.

Essas e outras mudanças no perfil da empresa (como a concentração no Sudeste – o Nordeste foi a região que, proporcionalmente, mais cortou postos de trabalho) e dos trabalhadores, atualmente, 60% dos cargos são de nível superior, em 2014, 62% eram de nível médio, configuram uma nova concepção de gestão, alinhada à política de desmonte da Petrobrás, que cada vez mais diminui seu espaço na exploração e refino.

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