Caso Unigel: é necessário proteger trabalhadores e resgatar o setor de fertilizantes

Em meio à crise, a necessidade de transição se faz urgente, justamente pela complexidade e a necessidade da continuidade operacional

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Após manter unidades paralisadas por mais de oito meses, Unigel decidiu desligar trabalhadores sem qualquer aviso prévio (Foto: Divulgação)

*Por Albérico Santos de Queiroz Filho

A Unigel protagonizou sua nova vergonha no setor de fertilizantes. Após manter as unidades da Bahia e Sergipe paradas por mais de oito meses e ter utilizado seus trabalhadores como massa de manobra para pressionar o governo a assumir o risco do negócio. A Unigel desrespeita completamente a saúde mental dos trabalhadores. Primeiro, a empresa primeiro decide desligar grande parte do efetivo, sem qualquer aviso prévio, apenas com um “tchau” e “obrigado”. Na sequência, cancelaram estas mesmas demissões e “recontrataram” todos eles, demonstrando clara sensação de insegurança no ambiente de trabalho.  

A FUP (Federação Única dos Petroleiros) propõe que a solução seja mediada para viabilizar a devolução das unidades em um processo de transição. O objetivo é preservar os empregos, dar aos trabalhadores a oportunidade de se planejarem e garantir a produção de fertilizantes nitrogenados, que tem sido negligenciada pela Unigel. No entanto, fica evidente que os dirigentes da Unigel carecem de coragem para tomar a decisão correta e sair do negócio, preservando ao menos um pouco de dignidade.

Para garantir a operação segura de uma unidade produtora de fertilizantes nitrogenados, é fundamental que a mão de obra seja qualificada. O processo industrial envolve condições críticas de temperatura, pressão e manuseio de produtos perigosos, exigindo destreza na operação. A necessidade de transição se justifica pelos mesmos motivos que levaram à criação do contrato de TSA (Temporary Service Agreement) entre a Petrobrás e a Acelem durante a covarde privatização da Rlam. A complexidade e a necessidade de continuidade operacional são fatores determinantes.

Este é o momento em que devemos nos distanciar das péssimas escolhas feitas por um governo que tentou destruir a Petrobrás e pouco se importou com as demandas do país. Não podemos esperar que as escolhas feitas por quem empurrou 33 milhões de brasileiras e brasileiros para a insegurança alimentar contemplem necessidades básicas para a produção de alimentos. Precisamos corrigir os rumos e, apesar das divergências, apostamos em uma solução conjunta, mas que seja em direção a um projeto de país que faça sentido para o povo e não para as vaidades de bilionários

*Albérico Santos de Queiroz Filho é diretor do Sindipetro Unificado

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