Campanha salarial: é hora de aumentar a pressão

Ato na Recap no dia 26 de julho 

Caso a direção da companhia continue com sua postura intransigente na mesa de negociação, o caminho será a GREVE

Por Norian Segatto

 

Na manhã da sexta-feira, dia 26, centenas de trabalhadores, próprios e terceiros, da Replan e da Recap realizaram atos na entrada do turno da manhã como parte da pressão da campanha salarial. À tarde, dirigentes da FUP e da FNP se reuniram com representantes da Petrobrás para continuar as negociações.

Na Recap, cerca de 80 trabalhadores, do turno e do administrativo, permaneceram do lado de fora da portaria ouvindo as informações dos diretores do Unificado. O coordenador do Sindicato, Juliano Deptula, destacou a importância desse tipo de pressão para garantir o melhor acordo coletivo possível. “O ACT é a garantia dos salários, mas não só isso, é a arma contra futuras demissões sem justa causa, demissões em massa”.

Para o coordenador da Regional Mauá, Auzélio Alves, a luta de resistência é também pela manutenção da Petrobrás pública. “Temos que ter isso em mente, pois estamos enfrentando o maior ataque em mais de 60 anos de companhia, estamos no olho de um furacão, de um momento histórico único e nossas ações, de resistência ou covardia, ficarão para sempre na história da empresa e do país”.

Ato na Replan

Na Replan também ocorreu atraso na entrada do turno da manhã, com muitos trabalhadores, próprios e terceiros, cruzando os braços e atendendo ao chamado das organizações sindicais. O coordenador da Regional Campinas, Gustavo Marsaioli, destacou a vulnerabilidade da Petrobrás após o anúncio da venda da BR. “É importante fazer os companheiros refletirem, porque muitos ainda não se deram conta da gravidade do momento que estamos vivendo. A Petrobrás acabou de vender a BR Distribuidora e a empresa, a partir de agora, não tem mais garantia de escoamento dos seus produtos. Mesmo sendo uma sócia relevante, com 30% de papéis, ela pode ser impedida de votar em questões que tenham conflito de interesses. Dessa forma, é possível a BR Distribuidora comprar, por exemplo, combustível de outra empresa e a Petrobrás não ter como escoar esse produto”.

Para o diretor Itamar Sanches, “o que estamos fazendo aqui é dando um recado para a Petrobrás, de que os trabalhadores da Replan e da Recap não concordam com a proposta indecente apresentada pela empresa. A resistência vale até o fim, por mais difícil que seja o momento, não é hora de desanimar, pelo contrário”.

 

Enrolação e calendário de mobilização

Ao final da tarde da sexta-feira, os representantes da FUP e da FNP saíram da reunião com a empresa com a certeza de que sem muita mobilização nada irá avançar. “Foi muita conversa mole e nada de definição”, sintetizou o coordenador da FUP, José Maria Rangel.

A diretora do Sindicato, Cibele Vieira, também participou da mesa de negociações e comprovou a falta de vontade da empresa de buscar soluções conciliatórias. “Foi uma conversa formal, mas que não apontou para o encaminhamento de nenhuma de nossas reivindicações”, afirmou.

A diretoria do Unificado se reuniu na segunda-feira para definir um calendário de mobilizações para ocorrer imediatamente e iniciar com a categoria o debate sobre a construção da greve nacional da categoria.

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