Bronca do peão: chega de trabalho precário na apropriação/sala de cálculo

Apropriadores exigem adicional para seu regime e cumprimento dos direitos trabalhistas e do ACT

Apropriadores exigem pagamento de horas-extras e o pagamento do adicional de apropriação (Foto: freepik)

Por Bronca do Peão*

Os “apropriadores” em todo país estão unidos e querem os mesmos direitos em todo o sistema Petrobrás e o fim dessa exploração! Além de exigir o pagamento do adicional de apropriação, aprovado no Congresso do Sindipetro-RJ e na Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) – por se tratar de um regime especial -, também se faz necessário o pagamento de horas-extras para aqueles que não recebem atualmente, não importa se esse trabalho é executado em refinaria, em unidade administrativa ou home-office. Que cada acionamento de sobreaviso pague – com isonomia – 4 horas. 

O trabalho de sala de cálculo/apropriação é crítico em todo Sistema Petrobrás. Os trabalhadores que o executam nas refinarias, no Edisen, na Transpetro não são valorizados apesar de sua imensa responsabilidade e desgaste. Esse trabalho, por exemplo, é exercido em alguns lugares, como na Transpetro, de forma praticamente ininterrupta, já que precisam liberar navios, por exemplo, que não há uma hora definida para término ou desatracação, e isso causa uma atenção de quase 24 horas do apropriador para não perder o prazo definido contratualmente e causar danos irreversíveis a Companhia. Em algumas unidades, nem mesmo o direito do interstício, o descanso inter-jornadas de 11 horas é cumprido. É uma vergonha e absurdo! 

Cada movimentação do sistema Petrobrás, cada venda, cada operação de oleoduto, cada navio, cada carga de unidade é conferida litro a litro por estes funcionários – com prazos apertados para não gerar multas milionárias. Os trabalhadores e trabalhadoras têm que conferir dezenas ou centenas de milhões de reais por dia e sofrem imensa pressão e em vários casos nem recebem horas extras, como acontece no EDISEN e nas Refinarias, tendo que muitas vezes trabalhar até meia-noite!

Esse trabalho é um regime especial que a Petrobrás e a Transpetro não reconhecem. 

Onde já se viu um trabalho administrativo que às 7 da manhã já tem pressão de entrega, que não tem feriados, um administrativo que tem sobreaviso todos os dias, tem pessoas trabalhando de madrugada e até mesmo “passagem de serviço” como acontece na Transpetro?

* O texto foi enviado por petroleiro da base que preferiu não se identificar.

Posts relacionados

Bronca do peão: O sabor da precarização que nos dá azia

Vitor Peruch

Bronca do peão: é preciso romper o contrato com a ALS

Maguila Espinosa

Bronca do peão: é preciso valorizar as mulheres da Replan

Maguila Espinosa