Aumentos em 2021: 41,6% na gasolina, 33,9% no diesel e 17,1% no gás de cozinha

A partir desta terça-feira (2), passa a vigorar o quinto reajuste do ano para a gasolina, o quarto para o diesel e o terceiro para o gás de cozinha

Os reajustes são resultado da atual política de preços da empresa (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Por Guilherme Weimann

Desde o início desta terça-feira (2), a Petrobrás reajustou os preços dos três principais derivados de petróleo oferecidos em suas refinarias. A gasolina passou a ser vendida a R$ 2,60 por litro, uma elevação de R$ 0,12 por litro (4,8%); o diesel está sendo oferecido a R$ 2,71 por litro, alta de R$ 0,13 por litro (5%); e o gás de cozinha aumentou para R$ 39,69, o que representa acréscimo de R$ 1,90 para cada botijão de 13 quilos (5%).

No acumulado deste ano de 2021, este é o quinto reajuste para a gasolina, com alta de 41,6%; o quarto para o diesel, com alta de R$ 33,9%; e o terceiro para o gás de cozinha, com alta de 17,1%.

Os aumentos passam a valer menos de uma semana depois da empresa divulgar o balanço financeiro e operacional do quarto trimestre do ano passado, no qual apresentou lucro líquido de R$ 59,89 bilhões, revertendo três trimestres de prejuízos. A estatal ainda anunciou que pagará R$ 10,3 bilhões em dividendos, valor superior ao lucro líquido de 2020, que foi de R$ 7,11 bilhões.

Leia também: Petrobrás vai distribuir dividendos maiores do que o lucro obtido em 2020

Além disso, essas novas elevações dos preços nas refinarias ocorrem uma semana após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) comunicar a troca no comando da Petrobrás. O economista Roberto Castello Branco, aliado do ministro da Economia Paulo Guedes, será substituído pelo general Joaquim Silva e Luna. A indicação ainda precisa ser aceita pelo Conselho de Administração da estatal.

O atual mandatário, Castello Branco, tem sido criticado por diversos setores da sociedade civil, incluindo os petroleiros, por dar seguimento ao preço de paridade de importação (PPI), implementado durante a gestão de Pedro Parente na Petrobrás, indicado pelo ex-presidente Michel Temer (MDB).

O PPI é um cálculo utilizado para reajustar os preços dos combustíveis de acordo com as variações internacionais do barril de petróleo, do câmbio e dos custos logísticos de importação. Em 2020, o preço do barril no mercado internacional subiu 26,5%, de acordo com dados da Bloomberg.

Entretanto, os críticos da atual política de preços afirmam que o Brasil é autossuficiente em petróleo, com custos de produção e logística calculados em reais. Além disso, afirmam que o PPI é uma forma de beneficiar os acionistas privados, que atualmente recebem cerca de 60% dos dividendos da empresa.

Impacto aos consumidores

O valor cobrado pelas refinarias da Petrobrás representa 34% do valor total da gasolina repassado ao consumidor, 53% do diesel e 48% do gás de cozinha. Além desse custo, incidem na composição de preços impostos federais (CIDE, PIS/PASEP e COFINS), estaduais (ICMS), etanol (no caso da gasolina), biodiesel (no caso do diesel), a distribuição e a revenda.

Todas essas variáveis formam os preços finais que são pagos pelo consumidor nos postos de combustíveis ou nas revendedoras de gás de cozinha. Estes valores também sofreram altas neste ano, de acordo com a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP): a gasolina aumentou 15,3%; o diesel 16%; e o gás de cozinha 8,1%.

Posts relacionados

Sindipetro-SP cobra da Petrobrás normalização dos salários

Guilherme Weimann

Bronca do Peão: as fake news do pelego gerencial

Sindipetro-SP

Petrobrás cede ao movimento grevista e abre negociação com o Sindipetro-SP

Guilherme Weimann