Assembleias apontam caminho da luta e resistência

Cibele Vieira durante assembleia na Replan

Por Norian Segatto

A empresa jogou todas as suas fichas em uma nova forma de pressão contra os trabalhadores, em vez de forçar a categoria a não exercer seu direito de participar de assembleia, a alta cúpula jogou com o medo e a intimidação, obrigou todos a participarem na esperança de que votassem a seu favor e aceitassem a proposta de acordo coletivo. “Essa direção entreguista desconhece a categoria petroleira, o senso de união que temos e a nossa consciência de classe”, destaca o coordenador do Unificado, Juliano Deptula, diante do expressivo resultado nacional.

Terminadas as votações em todo o país, a proposta de mediação apresentada pelo TST foi rejeitada e a greve, caso não se avance nas negociações, aprovada – das bases sindicais da FUP, apenas a do Unificado não aprovou a proposta de greve.

 

Assembleias nas unidades Barueri, Uberaba, SCSul e Edibra

Por que rejeitamos a atual proposta

Apesar de considerar que houve avanços na proposta apresentada pela vice-presidência do TST (Tribunal Superior do Trabalho), as direções sindicais apontaram para a categoria seis pontos em que há necessidade de melhoria:

Hora extra – a empresa quer rebaixar o valor do pagamento das horas extras, gerenciáveis e não gerenciáveis.

Turno de 12h mediante negociação local – O movimento sindical quer que qualquer alteração nesse regime seja feita por meio de negociação e anuência dos trabalhadores que terão suas vidas afetadas pela mudança do horário do turno.

AMS – Esse é um dos pontos essenciais que levou a categoria a rejeitar a proposta. A direção da Petrobrás quer mudar o índice de reajuste. Atualmente, é utilizado o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que registrou em 2018 uma variação de 3,7%; a Petrobrás quer adotar para os contratos da AMS a variação dos custos médico-hospitalares (VCMH), que, no mesmo período foi de 17,3%. Se aprovado, em pouco tempo o valor do plano de saúde se tornará inviável para a maioria dos petroleiros. Esse é mais um “golpinho” da gestão para acabar com a AMS e driblar o custeio 70×30.

Promoção por tempo de companhia – Outro ponto que a proposta de ACT quer mudar e os trabalhadores não aceitam, porque isso estanca a carreira profissional a partir de certo momento.

Mensalidade sindical – Um dos objetivos desse governo é acabar com a organização sindical para impor a precarização do trabalho sem qualquer reação organizada. Sufocar financeiramente os sindicatos é uma dessas formas. O governo tenta, e a gestão da Petrobrás correu para implementar, mudanças na forma de recebimento da mensalidade sindical para tentar inviabilizar a existência dos sindicatos.

Vigência do ACT – A proposta da empresa é diminuir de 2 para um ano a vigência do ACT, o que levará a categoria a começar o processo de construção de pauta pouco depois do Carnaval. A Petrobrás já mostrou o que está disposta a fazer para retirar direitos dos trabalhadores. Estamos há seis meses em campanha. Imagina começar tudo de novo no começo do ano que vem. Nosso acordo atual é de dois anos. Nossa pauta é manter o que já temos. Não aceitaremos um acordo que cuja vigência seja menos que isso.

Recap

Se a empresa concordar em negociar esses seis itens, estaremos muito próximos de chegar a um acordo, mesmo reconhecendo que haverá perdas para a categoria, mas que, como no passado, dependerão de nossa organização para serem recuperadas em um governo democrático.

Conselho Deliberativo

Assim que as assembleias terminaram, o Conselho Deliberativo da FUP se reuniu para avaliar os resultados. A conclusão foi de que o resultado das assembleias foi extremamente significativo, face às diversidades da conjuntura, pressão e assédio por parte dos gestores, e que há possibilidade de se retornar às negociações. “O Conselho apresentou para a companhia e para o TST o resultado das assembleias e aguarda até está terça-feira, 22, um posicionamento da gestão da Petrobrás, lembrando sempre que qualquer acordo está condicionado à extensão para as subsidiárias, como aprovado em assembleia”, informa a diretora do Unificado e da FUP, Cibele Vieira.

Posts relacionados

Assembleias dão início à resposta dos petroleiros para pauta da Petrobrás

Luiz Carvalho

Força da categoria faz avançar proposta do TST – CONFIRA CALENDÁRIO DE ASSEMBLEIAS

Andreza de Oliveira

Petroleiros(as) do Unificado rejeitam proposta do TST

Andreza de Oliveira