Artigo: Por uma Petrobrás humanizada

Vamos reconstruir essa empresa contribuindo para a reconstrução do Brasil, queiram alguns ou não

Lutamos por uma empresa que enxergue e reconheça a contribuição e o potencial de cada um de nós. Foto: Paulo Neves.
Por Cibele Vieira*

Como o poder de influenciar ou controlar decisões é exercido na sociedade atual? Michel Foucault analisa essa questão através da microfísica do poder. Ele considera que além do poder estatal, existe um poder que é mais fluido: o micropoder. Nas empresas, podemos dizer que a cultura organizacional e a política de RH que permeiam todas as áreas são fundamentais nesse sentido.

O que são os trabalhadores de uma empresa, apenas executores de tarefas ou seres pensantes, formadores de conhecimento? Quem executa a atividade, tem como contribuir em melhorias sobre como exercê-la? Uma empresa que acredita que sim, vai incentivar a integração no dia-a-dia, promoverá programas de trocas de conhecimentos, metas e remunerações baseadas nos resultados coletivos, além de festividades e incentivos à integração.

Uma empresa que não acredita, vai buscar selecionar apenas os “melhores”, incentivando a disputa, acreditando que isso gera um maior empenho e, portanto, melhora o resultado corporativo. Essa segunda empresa terá o PPP ao invés da PLR, cortará momentos de integração, priorizará conceder mais níveis para menos pessoas na progressão da carreira e considerará sugestões oriundas dos trabalhadores como afrontas à hierarquia.

É uma empresa que exigirá coisas sem necessidade ou exageradas, como não poder trazer qualquer alimento de fora (ao mesmo tempo que piora a qualidade do alimento fornecido por ela), colocar o uniforme para dentro da calça em todo momento, obrigar as pessoas a ir pessoalmente a unidades onde estarão sozinhas ao invés de permitir o trabalho remoto, cumprimento descabido da escala materializada no saldo AF e dia ótimo de férias, entre outras tantas.

Muitas coisas que impactam a vida das pessoas serão decididas na canetada de um gestor. Coisas como conseguir mudar de ênfase, as transferências, licenças não remuneradas, a possibilidade de fazer teletrabalho e por quantos dias, etc. A domesticação dos executores das tarefas é necessária para que não se questionem as ordens e não venham com “ideias”. Essa empresa assume que privilegia os “escolhidos” porque a seleção teria sido baseada na meritocracia. Cada trabalhador e trabalhadora tem que saber que é a empresa que define nossa vida laboral, que o gestor é a autoridade da empresa no cotidiano.

Quando na campanha deste acordo coletivo a FUP e seus sindicatos falam em “Humanizar a Petrobrás” é justamente isso. Voltar a ser uma empresa que enxergue e reconheça a contribuição e o potencial de cada um de nós na construção dessa gigante que tanto nos orgulha. Não faz sentido algum a disputa entre corporação e trabalhadores. Vamos reconstruir essa empresa contribuindo para a reconstrução do Brasil, queiram alguns ou não.

*Cibele é coordenadora geral do Sindipetro Unificado e diretora da FUP

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