ANP paralisa operações em 37 instalações terrestres da Petrobrás na Bahia

Sindipetro-BA tenta evitar paralisação que deve gerar 4.500 demissões e impactar economia de diversas cidades baianas

Sindipetro-BA alega que a ANP já demonstrou que não tem interesse que a Petrobrás continue nessa atividade e quer a privatização total dos campos da estatal (Foto Agência Brasil)

Com informações do Sindipetro-BA

A Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) interditou 37 instalações terrestres e ordenou a paralisação de todas as suas operações em seus campos de petróleo e gás na Bahia.

A decisão foi tomada após auditoria realizada nas áreas de produção de petróleo e gás da Petrobrás, em campos que vão de Bálsamo a Taquipe e que fazem parte do Polo Bahia Terra. A auditoria começou no último dia 5 de dezembro e, segundo técnicos da ANP, foram encontrados problemas que necessitam ser regularizados. 

Diretores do Sindipetro-BA afirmam que a decisão foi contestada por técnicos da Petrobrás, que chegaram a propor prazos para corrigir os problemas, que de fato existem. Porém, a ANP não aceitou e notificou a Petrobrás, indicando a  paralisação total dos campos.

Segundo informações do Sindipetro-Ba, a interdição afeta  a produção de 20 mil barris de petróleo por dia e de R$ 4 bilhões de faturamento bruto por ano. O impacto deve atingir o orçamento de sete cidades: Esplanada, Cardeal da Silva, Entre Rios, Alagoinhas, Catu, São Sebastião do Passé e Araças. 

Esses municípios deixarão de receber o pagamento de royalties e  Imposto Sobre Serviços (ISS), que é feito pela Petrobrás. Além disso,ainda de acordo com o Sindipetro-BA, a paralisação das atividades deve gerar cerca de 4.500 demissões, feitas pelas diversas empresas que prestam serviços à Petrobrás nessas áreas, além dos impactos indiretos no comércio e cadeia produtiva).

Sindipetro-BA aponta erros e seletividade na paralisação

Segundo o diretor de comunicação do Sindipetro-BA, Radiovaldo Costa, ”esta é uma decisão absurda e desnecessária”. Ele sustenta que o problema poderia ser resolvido de outra forma e acusa a ANP de intransigência e falta de sensibilidade social com a economia, a população e os trabalhadores”.

“Essa parada pode significar uma paralisação total dos campos por cerca de seis meses enquanto as adequações serão feitas, então é um negócio completamente descabido”, reclama Radiovaldo.

O Sindipetro-BA desconfia das intenções dessa medida, como mais uma tentativa de retirada total da Petrobrás da distribuição terrestre de petróleo e gás no estado. O sindicato lembra que a ANP já demonstrou, em vários momentos, que não tem interesse que a Petrobrás continue nessa atividade e quer a privatização total dos campos da estatal, que já está em curso no estado e será finalizada, caso a atual gestão da Petrobrás consiga vender o Polo Bahia Terra.

 O Sindipetro-BA também acusa a ANP de beneficiar empresas privadas e mostra uma seletividade nessa paralisação, visto que, segundo diretores da entidade sindical, apesar de ter os mesmos problemas encontrados em outros campos da Petrobrás, na Bahia, os Parques Recife, São Paulo e São Sebastião, localizados nas cidades de Pojuca, Candeias e São Sebastião do Passé, respectivamente, não tiveram suas atividades paralisadas pela agência,  como aconteceu com todos os campos de produção de petróleo e gás do Polo Bahia Terra.

Reunião com a ANP

Para evitar os impactos da decisão da ANP, Jairo Batista e o Radiovaldo Costa, coordenador-geral e diretor de comunicação do Sindipetro-BA, respectivamente, foram ao Rio de Janeiro, na última terça-feira (13), para tentar abrir um canal de diálogo com a agência . Eles estavam acompanhados de prefeitos de cidades impactadas pela paralisação. 

Segundo informações da imprensa do Sindipetro-BA, os diretores  apresentaram a versão do sindicato e informaram o impacto causado pela paralisação, mas a ANP seguiu responsabilizando a Petrobrás e não deu garantias de extensão do prazo ou do fim da paralisação.

O Sindipetro-BA buscou contato com o governador Rui Costa (PT-BA), pedindo providências para evitar a paralisação desses campos. Será enviado um ofício para a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB- BA) com o objetivo de mobilizar os diversos segmentos empresariais, sindicais e políticos da Bahia para defender os interesses do povo baiano.

Posts relacionados

Os indicadores “melancia” da Petrobrás em Três Lagoas (MS)

Guilherme Weimann

Editorial: Já estamos vacinados

Guilherme Weimann

Na sua primeira agenda, novo presidente da Petrobrás recebe diretores sindicais

Guilherme Weimann