Edição 1122

Tentativa de intimidação inaceitável

Já é comum em nossas mobilizações que a Petrobrás utilize de pressão e intimidação para furar o movimento dos trabalhadores. Essa prática antissindical vem sendo constantemente denunciada e a direção do Unificado sempre reintera que ninguém deve sofrer pressão e se isso ocorrer, denunciar ao Sindicato.

O que se viu nas mobilizações da semana passada, no entanto, foi um passo a mais no autoritarismo e na repressão, não por acaso, bem ao gosto do atual governo antidemocrático, que trata trabalhadores como terroristas.

No Terminal da Tranpetro de Guararema, a mobilização ocorrida no dia 26 foi acompanhada de um contingente de policiais muito maior do que o de costume, mas, felizmente, não houve confronto nem nenhum incidente mais grave.

Na Recap o clima se tornou bastante tenso quando um supervisor e alguns pelegos tentaram entrar empurrando quem estava na frente da portaria. Pior, esse tipo de ação teve a ajuda de seguranças da refinaria, que abordaram fisicamente diretores do Sindicato. Não houve revide por parte dos sindicalistas, que tinham consciência da importância do movimento e das tentativas de causar tumulto por parte da empresa. Um dos pelegos, inclusive, foi apelidado pelos trabalhadores de Capitão do Mato, em referência à postura traidora diante da categoria.

O pior incidente, no entanto, ocorreu na Replan. Também com o clima tenso desde o início do movimento e forte aparato policial, na terça-feira, 26, uma advogada da empresa jogou o carro sobre o diretor Artur Bob Ragusa. Felizmente, o dirigente foi rápido e conseguiu se desviar do automóvel; a cena foi presenciada por centenas de trabalhadores e pela polícia que estava no local, que, inclusive, chegou a aconselhar o diretor a registrar Boletim de Ocorrência e fazer exame de corpo de delito.

Mesmo nos momentos mais tensos de greves e mobilizações, sempre nos pautamos pela civilidade, pelo respeito à decisão da categoria e pela integridade física de todos, grevistas e pelegos. É inadmissível a ocorrência de casos como esses que demonstram a escalada e a banalização da violência, resultado de um governo que prega o ódio em vez do diálogo.

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Participe das tradicionais festas de confraternização

Era mais do que previsto de que 2019 seria um ano difícil para a classe trabalhadora e para os petroleiros em particular (mas não precisa ser tanto…). O ano, que ainda não acabou, foi repleto de batalhas e resistência aos ataques que sofremos.

Mas, para quem é de fibra, a luta coletiva nunca é motivo para desanimar, pelo contrário. E para celebrar mais um ano, reencontrar amigos e “esquecer” por algumas horas os perrengues do pé de fábrica, as regionais do Unificado promovem as tradicionais festas de confraternização da categoria.

Confira:

Dia 7 de dezembro (sábado)

Regional Mauá

Das 10h às 17h. Entrada gratuita para os sindicalizados e seus dependentes (com apresentação da carteirinha da AMS). Para quem não é sindicalizado o convite custa R$ 50,00 e pode ser adquirido na entrada. Muito chopp, churrasco, bate papo e música com a banda do companheiro Carlão.

Dia 13 de dezembro (sexta-feira)

Regional São Paulo

A partir das 17h. Entrada gratuita para sindicalizados. Comes, bebes e o sempre gostoso reencontro com os amigos.

Dia 14 de dezembro (sábado)

Regional Campinas

Das 11h às 17h. A mais concorrida das festas de confraternização do sindicato também é gratuita para sindicalizados e dependentes mediante apresentação da carteirinha da AMS. O SINDICALIZADO (a) que não possui dependente na AMS terá direito a um ingresso de acompanhante (não será necessário convite). Para quem ainda não é sócio do Sindicato o valor do convite é de R$ 40 (antecipado) e R$ 60 no dia; crianças de 0 a 5 anos não pagam, de 6 a 12 anos pagam meia entrada. Os convites podem ser adquiridos até o dia 13 de dezembro, na Secretaria da Regional Campinas, de segunda à sexta-feira, das 8h30 às 17h.

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Petros: Assembleias aprovam plano alternativo

O Sindicato realizou na semana passada assembleias em suas três regionais para debater e deliberar sobre a proposta de equacionamento construída a partir do Grupo de Trabalho (GT) conquistado pela FUP e seus sindicatos, e que teve a participação da FNP, FTTNAA, FENASPE e de representantes da Petros e da Petrobrás

Por Norian Segatto

A proposta formulada pelo GT foi aprovada pelo Conselho Deliberativo da FUP, nos dias 5 e 6 de novembro, e enviada para a gestão da Petros, que a acatou quase integralmente.

A proposta vinha sendo discutida desde o início de 2018, foi concluída no dia 22 de outubro e aprovada por consenso nos fóruns de participantes e assistidos da Petros, no Conselho Nacional dos Aposentados e Pensionistas da FUP (CNAP) e no Conselho Deliberativo da FUP.

O GT Petros foi conquistado pela FUP na campanha reivindicatória de 2017 com o objetivo de apontar alternativas para cobertura dos déficits dos PPSPs, de forma a penalizar menos os aposentados, pensionistas e participantes da ativa, que tiveram seus orçamentos familiares profundamente comprometidos pelos descontos absurdos impostos pela Petros.

A proposta construída buscou alongar o prazo de pagamento do déficit, impondo menores sacrifícios aos participantes.

Nova fórmula de equacionamento

Luís Felipe, consultor e Bob Ragusa (ao fundo) / Foto Norian Segatto

Para orientar os participantes e pensionistas, as assembleias contaram com a participação do consultor e ex-funcionário da Petros, Luís Felipe, que apresentou a evolução do déficit do plano e as alternativas de equacionamento contidas na proposta. O consultor informou que ao déficit acumulado até 2015 (28,5 bilhões) somou-se o de 2018 (R$ 8,4 bi), acumulando um total de R$, 36,9 bilhões. Segundo Felipe, esse montante corresponde, a grosso modo, a três fatores: alteração das premissas autariais (expectativa de vida, família real etc.); ações judiciais (como o processo de níveis) e; problemas de rentabilidade do plano, devido à conjuntura econômica do país.

O consultor destacou, porém, que parte desse déficit é indevido pois foi oriundo do “pré-70”. “A própria empresa reconheceu isso e houve um abatimento de R$ 3,6 bilhões no déficit”, explicou. Feitos todos os acertos, sobrou para os participantes o valor de R$ 15,1 bilhões, referente a 50% do saldo total do déficit. Segundo a proposta, esse valor será coberto com a redução do valor de pensões.

Propostas

A contraproposta da Petros feita com base nas conclusões do GT é a seguinte:

– Contribuição extraordinária de 30% sobre o abono anual;

– Pecúlio de assistido no valor de 2x a remuneração global (Petros + INSS) e para os ativos 2x o salário de contribuição

– Mantido o cálculo das futuras pensões: 50% + 10% por dependente (a proposta original da Petros rebaixava drasticamente esse índice)

– Contribuição extraordinária linear, com valor ajustado para se adequar ao novo pecúlio por morte;

– Aplicação da resolução CNPC 30/2018: contribuição extraordinária por todo o período do compromisso do Plano (alongamento do prazo de pagamento).

Judicialização

Um dos pontos acordados foi o de que as entidades sindicais não entrarão com ações judiciais referente aos pontos aprovados. “Para construir o acordo, o Sindicato se comprometeu a não judicializar os pontos do acordo, mas, individualmente, qualquer participante ou pensionista pode questionar na Justiça, só orientamos que se alguém tiver essa intenção, que venha conversar com o nosso departamento jurídico”, explicou o diretor do Unificado e da FUP, Bob Ragusa.

Aprovação

Após as explicações de Luís Felipe houve uma rodada de perguntas para esclarecer dúvidas, principalmente às relativas ao peso do aporte nas pensões de menor valor. Ao final, a proposta foi aprovada por ampla maioria nas três assembleias realizadas.

Clique aqui para conhecer a íntegra do termo de compromisso.

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PLR: FUP pede mediação do TST

Na reunião de negociação com a FUP, nesta quinta-feira, 28, a gestão de RH da Petrobrás se negou a cumprir a Medida Provisória 905, que flexibiliza as condições para pagamento da PLR, ao estabelecer que as regras sejam definidas em até 90 dias antes da quitação.

Por FUP

O argumento da gestão da Petrobrás para não pagar no ano que vem a PLR 2019 era a exigência legal de que as regras fossem acordadas até dezembro de 2018, ou seja, no ano anterior ao do exercício da PLR. Com a MP 905, essa exigência não existe mais. Tendo em vista essa posição da Petrobrás, a FUP entrou na sexta-feira, 29, com pedido de mediação da Vice-presidência do Tribunal Superior do Trabalho para resolver o impasse da PLR 2019. Na reunião de negociação com a FUP, no dia 28, a gestão de RH da Petrobrás se negou a cumprir a Medida Provisória 905, que flexibiliza as condições para pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), ao estabelecer que as regras sejam definidas em até 90 dias antes da quitação. A mesma gerência que não titubeou em aplicar em março a Medida Provisória 873 para tentar asfixiar financeiramente os sindicatos.

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Defender os empregos, a Petrobrás e o Brasil

Petroleiros e petroleiras de todo o Brasil responderam com um sonoro SIM ao chamamento da FUP e de seus sindicatos para promover uma semana de paralisações, atos e diálogo com a sociedade em torno de um tema que parte da mídia ofusca: qual é a importância da Petrobrás para o desenvolvimento do país? Essa resposta é fundamental para compreender o processo de desmonte implementado pelo governo e a reação da categoria, que luta por empregos, por direitos, mas também para manter a Petrobrás pública, forte e soberana.

Por Norian Segatto e Alessandra Campos

E para que essa luta tenha sucesso, o diálogo com a sociedade e o envolvimento de outros setores organizados são essenciais e foi isso que a categoria buscou fazer ao longo da semana.

Greve no Unificado

Mobilização na Replan

Desde as primeiras horas da manhã da segunda-feira, 25, trabalhadores/as da Replan e da Recap se concentraram nas portarias das refinarias para iniciar as mobilizações. Os atos ocorrem nacionalmente em defesa da Petrobrás, dos empregos, do cumprimento do acordo coletivo mediado pelo TST e pela mudança da política de preços para a cobrança de valores justos dos combustíveis.


Na Replan, petroleiros bloquearam a portaria Sul da refinaria. A ação foi uma resposta ao comportamento irresponsável da gestão da refinaria, que decidiu tomar medidas totalmente contrárias ao acordo de regramento do movimento. Em uma ação mentirosa, a Petrobrás apresentou ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) um vídeo feito na portaria da Replan como “prova” de abuso do direito de greve. A ação foi totalmente desmentida pelo Sindicato (clique aqui para saber mais , mas serviu como base para o Tribunal impor pesadas sanções aos sindicatos e à FUP (leia mais abaixo).

Recap

Na Recap, os trabalhadores do turno e do administrativo realizaram um paralisação de oito horas. Os companheiros terceirizados também aderiram ao movimento, entrando após a realização do ato na portaria da refinaria. Segundo relato do diretor Auzélio Alves, a gerência da refinaria colocou supervisores substituindo trabalhadores que estavam no turno dentro da empresa para que as PTs fossem liberadas.

A mobilização continuou nos dias que se seguiram até a quinta-feira, quando o movimento foi encerrado.

Terminais de Guararema e Barueri

Mentiras e confronto
Auzélio Alves na Recap

A direção da Petrobrás recorreu ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) na tentativa de criminalizar o movimento sindical. A empresa mentiu ao afirmar que negociou efetivos com a direção do movimento sindical. Sem ouvir a versão dos sindicatos, o ministro do TST Ives Gandra atendeu a liminar da Petrobrás que determina o bloqueio arbitrário das contas da FUP e dos sindicatos e a suspensão do repasse das mensalidades sindicais, além de pesadas multas.

A FUP e seus sindicatos começam agora a construção de uma nova greve contra a privatização da Petrobrás. “Não assistiremos de braços cruzados ao desmonte que esse governo e a gestão irresponsável de Castello Branco estão impondo à companhia. A Petrobrás é do povo brasileiro e cabe a nós, os trabalhadores da empresa, chamar à luta a sociedade organizada, para que juntos possamos defender esse patrimônio que é de todos nós”, afirmou o coordenador nacional da Federação, José Maria Rangel.

Doação de sangue e combustível a preço justo
Campanha no Hemocentro da Unicamp

Várias ações foram programadas para acontecer durante a semana, entre elas, a doação de sangue. Aproveitando a data de 25 de novembro (Dia Nacional do Doador de Sangue), a categoria se mobilizou para “dar sangue pela Petrobrás”, mostrando seu comprometimento com o país.

Em Campinas, os trabalhadores da refinaria fizeram a campanha de doação de sangue ao Hemocentro da Unicamp.

Norte Fluminense

Na quarta-feira, os sindicatos do NF e do Espírito Santo promoveram uma distribuição de combustível a preços justos. Em Campos dos Goytacazes (NF), os petroleiros subsidiaram 200 botijões de gás, vendidos ao preço de R$ 30,00, menos da metade do valor praticado pelo mercado. Em Linhares (ES), o sindicato patrocinou descontos de R$ 40,00 para os 100 primeiros motoristas que abasteceram seus veículos com gasolina ou diesel em um posto às margens da Rodovia BR 101. O objetivo das ações foi denunciar que o aumento no custo do combustível é um dos prejuízos da sociedade com a privatização da Petrobrás.

Passeata e panfletagem no Centro de Paulínia

A cor laranja coloriu o Centro de Paulínia na manhã do dia 27. Vestidos com a farda da Petrobrás, petroleiros da ativa e aposentados, junto com apoiadores, realizaram uma passeata e panfletagem na cidade que abriga a Replan, para alertar a população sobre as consequências malignas que a privatização das refinarias da Petrobrás trará ao Brasil.

O grupo, com cerca de 100 pessoas, se concentrou na Praça da Amizade, ao lado do Corpo de Bombeiros. Com faixas defendendo o pré-sal e a educação e contra a privatização e o alto preço da gasolina, do diesel e do gás de cozinha, os participantes seguiram em caminhada pela Avenida José Paulino, uma das principais vias do município, até a Rua Expedicionário Paulo Emidio Pereira, retornando à praça central.

Gustavo Marsaioli durante a passeata

Durante o percurso, o grupo distribuiu panfletos aos trabalhadores do comércio e às pessoas que transitavam pelo local, enquanto o diretor do Sindicato Gustavo Marsaioli dava o recado em alto som.

“Defendemos continuar sendo donos das nossas refinarias. Não podemos permitir que elas sejam vendidas a empresas estrangeiras e não podemos acreditar nessa falsa notícia de que a privatização vai baixar os preços. Não vai, isso é mentira!”, argumentou.

O dirigente explicou que o preço dos combustíveis está alto porque o governo atrela o valor desses produtos à cotação internacional do barril de petróleo e do dólar. “A política de preços praticada pela Petrobrás precisa ser revista, porque a empresa tem plenas condições de baixar os valores dos combustíveis, garantindo um preço mais acessível ao povo brasileiro”, afirmou.

Marsaioli convocou a sociedade para estar ao lado dos petroleiros nessa importante luta contra a privatização. “A Replan e a Petrobrás devem continuar nas mãos do povo brasileiro, porque isso é o melhor para esta cidade e para o país”, declarou.

O ato de conscientização no Centro de Paulínia foi encerrado com o grito de guerra: “Defender a Petrobrás é defender o Brasil”.

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Pasquim 50 anos e ainda atual

Dicas culturais, confira aqui!

José Carlos | HA-Replan | Filme: Gosto de um documentário da Netflix chamado “Indústria Americana”, pois nele mostra o choque cultural entre uma fábrica nacional e administradores estrangeiros.

Ricardo Moraes | HA-Replan | Música: O som instrumental e dramático de “The End”, do The Doors, me cativa.

Antonio Jesus Alencar Ferreira | aposentado Replan | Livro: Sapiens – Uma Breve História da Humanidade, de Yuval Harari, faz uma análise da evolução da civilização e questiona alguns pontos interessantes. Um livro que faz a gente pensar.

Cultura

Pasquim, após 50 anos, ainda atual

PorNorian Segatto

Em plena ditadura militar um grupo de talentosos e irreverentes jornalistas, cartunistas e artistas lançou o jornal O Pasquim, uma das mais interessantes e subversivas publicações que o Brasil teve.

Em 1969, meses depois do AI-5, o cartunista Jaguar concebeu o projeto que, inicialmente seria um jornal de bairro em Ipanema. Para tocar a coisa, reuniu uma então nova geração de cartunistas, entre eles Henfil, convidou jornalistas como Tarso de Castro, Paulo Francis e Luís Carlos Maciel. O sucesso da publicação foi instantânea, o humor corrosivo e anárquico de O Pasquim não se voltou apenas contra a ditadura, suas páginas zombavam da caretice conservadora, expondo o ridículo do medíocre pensamento classe média. O Pasquim chegou a ter tiragem de 200 mil exemplares, vendidos em bancas de jornal, sobreviveu à censura e aos ataques, e, entre crises encerrou sua longa vida em 1991.

Para celebrar o cinquentenário de sua criação, o Sesc Ipiranga apresenta a mostra O Pasquim 50 anos. Com curadoria de Zélio Alves Pinto (que é irmão do Ziraldo, não do Auzélio) e Fernando Coelho, a exposição é tristemente bastante atual.

Além de capas icônicas do jornal carioca, é possível ouvir o LP “Anedotas do Pasquim” com piadas contadas por Ziraldo, Chico Anisio, Golias e Zé Vasconcelos. No mesmo espaço uma linha do tempo apresenta 50 capas e textos complementares, que proporcionam uma viagem entre 1969 e 1991, ano da última publicação do jornal.

Nas paredes do solário, no quintal da unidade, frases lema que foram publicadas em todas edições, entre elas “Pasquim, um jornal a favor do contra” e “Na terra de cego quem lê Pasquim é rei” são expostas na expo “O Pasquim 50 anos”.

O Pasquim teve 1.072 edições em 22 anos de existência. Para que o material não se perdesse, todas as publicações foram digitalizadas e estão disponíveis no portal da Biblioteca Nacional.

A exposição acontece até 12 de abril de 2020.

Cultura

Flamengo vira palanque para extrema direita


Montagem: jornal El Pais

Por Norian Segatto

O até ontem corinthiano, Wilson Witzel, governador do Rio de Janeiro, se ajoelha diante de Gabigol para render-lhe homenagem (e sair na foto) pelo título da Libertadores; o palmeirense, gremista, atleticano Jair Bolsonaro, agora é flamenguista desde sempre e até presenteou Xi Jinping, presidente chinês, com uma camiseta do clube.

O deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL-RJ) ostenta em seu gabinete uma camiseta rubro negra ao lado de um pedaço da placa com o nome de Marielle Franco quebrada pelo então candidato em um comício ao lado de Witzel. Magno Malta e Alexandre Frota são outros dois exemplos de parlamentares que decoram seu gabinetes com odes ao Flamengo.

Nos bastidores, um dos nomes que se destacam na aproximação de políticos com o clube da Gávea é Aleksander Santos, Membro da executiva estadual do Solidariedade e diretor de relações governamentais do Flamengo. Santos teve papel destacado em aproximar o presidente do clube, Rodolfo Landim, ex-diretor da Petrobrás, de proeminentes figuras da política carioca e nacional, ajudou a obter licenças com órgãos municipais e estaduais para desinterditar o Ninho do Urubu após o incêndio que vitimou 10 meninos. A proximidade do clube com políticos de extrema direita rendeu outros frutos: no início de abril, o governo estadual concedeu a Flamengo e Fluminense a gestão provisória do Maracanã.

O Flamengo é campeão brasileiro e continental com méritos, e passou a ser o clube que mais serve de palanque para políticos conservadores, um título nada honroso.

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Velejar é preciso

É só ter uma folga no trabalho que o operador na unidade de destilação da Replan Pedro Sérgio Augusto parte em direção ao mar, para fazer uma das coisas que ele mais gosta na vida: velejar. O destino costuma ser Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, onde o petroleiro desafia a solidão, a força das águas e do vento e as mudanças de clima, tenta superar seus limites e garantir muita adrenalina, que é o combustível do seu dia a dia.

O paulistano Pedro conta que sempre gostou de atividades que dão um friozinho na barriga. Quando criança, ele se aventurava pelas ruas com sua bicicleta. Assim que completou 18 anos comprou uma moto e começou a correr de motocross. “Assim que provei a sensação da adrenalina, não consegui mais ficar sem ela”, afirma ele.

Aos 30 anos, Pedro aprendeu a nadar. Dez anos mais tarde conheceu os esportes aquáticos e se apaixonou. “Eu ia à praia, ficava olhando as pessoas praticarem windsurf e queria entender como elas conseguiam fazer aquilo em alto mar. Um dia, resolvi experimentar e foi muito bom”, revela ele.


A segurança que sentiu praticando o esporte foi um dos fatores que mais chamou a atenção de Pedro. “Quando tive contato com essa modalidade, percebi que era possível atingir um pico de adrenalina ainda maior em relação ao motocross e com uma segurança inigualável. Isso foi muito confortante e motivador”, destaca ele.

Há sete anos, o petroleiro descobriu sua mais nova paixão aquática, o kitesurf, uma modalidade em que o praticante é navegado no mar por uma pipa. “É até mais fácil. O começo é como um estágio avançado do windsurf e a adrenalina já é alta, sem contar que é uma atividade mais tecnológica, portanto, ainda mais segura”, explica ele, que prefere praticar essa modalidade em praias do Nordeste. “As correntes marítimas do litoral nordestino são mais seguras por conta dos ventos”, enfatiza.

Como as praias do Nordeste ficam mais longe, nem sempre é fácil viajar para lá. Por isso, normalmente, quando está de folga da refinaria, o petroleiro acaba indo para Ilhabela. “Aqui no Sudeste dou preferência ao windsurf devido às frentes frias, o que torna a atividade até mais segura do que o kitesurf”, comenta.


Pedro é um velejador experiente, que está sempre em busca de mais adrenalina e desafios. “Velejo bem porque sou teimoso e persistente. A ideia sempre é superar o meu limite”, argumenta ele, que já tem um novo desafio pela frente: aprender a velejar de hydrofoil.

Nessa modalidade, o praticante veleja com uma prancha, que fica fora da água. “A prancha é sustentada por um aviãozinho e fica voando, literalmente. É muito difícil, mas eu comprei o equipamento e vou fazer aula”, assegura ele, que não é adepto de competições. Pedro acha que a disputa acaba com o espírito de solidariedade dos esportistas e ele prefere velejar sem pressão e no seu tempo.

O petroleiro garante que não consegue se imaginar longe do mar e da sensação de bem-estar que o esporte propicia à sua vida. “A vela me deu mais autoestima e confiança, pois consegui superar barreiras que eu nem imaginava. Sem contar que esse refúgio acalma a mente, algo extremamente necessário. Na hora em que estou velejando, só existe aquele momento, só existem o mar e eu”.

Por Alessandra Campos e Andreza de Oliveira

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Confira as notícias da semana

Notícias da semana: PM que mata, petros, Edir Macedo…


Morte e impunidade

A dois meses do fim do ano, a PM do Rio de Janeiro já bateu o recorde de civis mortos em supostos confrontos. Até outubro, 1.546 pessoas foram mortas por policiais, até então 2018 detinha o recorde do Estado com 1534 mortos. Uma das vítimas é a Ágatha Vitória Sales Félix, de 8 anos; o policial responsável por sua morte pediu isenção de culpa com base no recente Projeto de Lei de Bolsonaro.


MP inconstitucional

O juiz Germano Silveira de Siqueira, da 3ª Vara do Trabalho de Fortaleza (CE) declarou inconstitucional a Medida Provisória 905, que cria a chamada carteira verde e amarela. O juiz argumentou que a lei não poderia ser criada por medida provisória. Em sua decisão, Siqueira criticou, também, a reforma trabalhista de Temer, considerando que ela serviu apenas para cortar direitos dos trabalhadores.


Aos amigos, prescrição de pena

Quatro meses antes do caso contra o bispo Edir Macedo prescrever, a Justiça Federal de São Paulo consultou o Ministério Público Federal sobre o assunto, mas a 2ª Vara Criminal nada fez para evitar a prescrição do processo criminal, que investigava o líder da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e outras três pessoas por lavagem de dinheiro.


Sede da Petrobras (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Fase desmoronante

A Petrobras iniciou no dia 22 de novembro a fase vinculante da primeira etapa da venda das refinarias. Os potenciais compradores irão receber carta-convite com instruções detalhadas sobre o processo de desmonte. Entre os ativos estão as refinarias Abreu e Lima, Rlam, Repar e a Refap. Juntas, as quatro refinarias têm capacidade de processamento de 879 mil barris por dia.


Petros e INSS

A partir de janeiro, o INSS não fará mais o pagamento do benefício de seus segurados por meio do convênio com a Petros. O órgão de previdência comunicou a decisão a todas as entidades fechadas de previdência complementar e informou que, a partir de janeiro pagará seus beneficiários pela rede bancária contratada pelo próprio INSS. Em caso de dúvidas, entre em contato com a Central 135 do INSS”, informou a Petros em seu portal.


Greve de professores

Os professores da rede estadual de São Paulo decidiram fazer paralisações contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18/2019, que muda as regras da Previdência dos servidores. A decisão foi tomada em assembleia realizada dia 26. A primeira paralisação acontece nesta terça, 3, dia em que o projeto de reforma da Previdência encaminhado pelo governador João Doria (PSDB) deve entrar na pauta de votações do Legislativo paulista.


Desigualdade racial

Segundo dados do IBGE, divulgados dia 13, trabalhadores brancos ganham, em média, 74% mais do que pretos e pardos (a média salarial do brasileiro branco é de R$ 2.796 e a de pretos e pardos é de R$ 1.608). De acordo com o Instituto, quase 70% das vagas gerenciais são para brancos. O desemprego também atinge mais aos negros e pardos: são 14,1% sem trabalho, entre os brancos, taxa cai para 9,5%.


Democracia sempre

O Conselho de Ética da Câmara instaurou no dia 26, dois processos contra o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). O primeiro reúne duas representações: uma da Rede e outra do Psol, PT e PCdoB. Os quatro partidos acusam Eduardo Bolsonaro de ter quebrado o decoro parlamentar e atentado contra a democracia ao sugerir, durante uma entrevista, a adoção de um novo AI-5. Recentemente, o ministro Paulo Guedes voltou a falar em AI-5, provocando reações no STF.

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