Trabalhadores exigem mudanças no transporte da Replan

Pesquisa do Sindipetro Unificado apontou problemas de lotação, espaço e itinerários; entidade também questiona redução do conforto dos veículos

transporte
Ao verificar os ônibus, representantes da entidade identificaram mudanças em relação aos modelos utilizados anteriormente (Foto: Kamá Ribeiro/Sindipetro Unificado)

As mudanças no sistema de transporte da Refinaria de Paulínia (Replan) voltaram a ser discutidas entre o Sindipetro Unificado e a gestão da refinaria. Em reunião realizada em 19 de agosto, a entidade apresentou reclamações dos trabalhadores e cobrou medidas diante dos problemas identificados no serviço, principalmente em relação ao conforto, à lotação e aos itinerários.

A reunião ocorreu após uma pesquisa realizada pelo sindicato com os trabalhadores da refinaria para avaliar a qualidade do transporte. O levantamento apontou problemas relacionados ao espaço disponível nos veículos, à lotação e aos trajetos utilizados.

Durante o encontro, a Replan apresentou as características do atual contrato de transporte, além dos indicadores utilizados para acompanhar a prestação do serviço.

A apresentação, no entanto, não encerrou as preocupações do sindicato. Ao verificar os veículos, representantes da entidade identificaram mudanças em relação aos modelos utilizados anteriormente, como a condensação dos assentos nos micro-ônibus e a retirada da distância mínima de 30 centímetros de espaçamento frontal entre os bancos.

As condições do transporte também foram abordadas na apresentação do novo gerente-geral da Replan ao sindicato, realizada nesta segunda-feira (31), reforçando as reclamações apresentadas pelo sindicato sobre os veículos, itinerários e lotação. 

Trabalhadores relatam desconforto

Para o sindicato, as alterações têm impacto direto sobre as condições de deslocamento dos empregados. A avaliação feita durante a reunião foi de que existe uma grande diferença na ocupação dos veículos: enquanto alguns circulam praticamente lotados, outros apresentam quantidade reduzida de passageiros.

Também há queixas sobre a dificuldade de obter respostas quando os trabalhadores apresentam sugestões ou relatam problemas no serviço. Outro ponto de preocupação são os relatos de dores e lesões associados às características dos bancos e encostos, especialmente entre trabalhadores de maior estatura.

“Os modelos anteriores ofereciam melhores condições aos trabalhadores. Não há justificativa para uma redução da qualidade em um serviço utilizado diariamente por quem trabalha na refinaria”, afirma o diretor do Sindipetro Unificado, Rodrigo Zanetti.

Sindicato cobra participação dos trabalhadores

A entidade também questionou a forma como mudanças de impacto no transporte são implementadas. Para o sindicato, os trabalhadores precisam ser ouvidos antes de alterações que interferem diretamente em sua rotina e nas condições de deslocamento.

A discussão envolve não apenas o modelo dos veículos, mas também a distribuição dos passageiros, os trajetos e a quantidade de linhas disponíveis.

O sindicato aguarda agora uma resposta da Replan sobre a possibilidade de substituição dos modelos atuais, além da revisão dos itinerários e da ampliação das linhas, caso seja identificada essa necessidade.

Reclamações levaram o sindicato a promover a pesquisa

A reunião de 19 de agosto foi uma etapa do acompanhamento que o Sindipetro vem fazendo sobre o transporte da Replan. A pesquisa realizada anteriormente buscou ouvir diretamente os trabalhadores sobre aspectos como conforto, itinerário e espaço nos veículos. 

A iniciativa surgiu justamente da percepção de que as mudanças no sistema precisavam ser confrontadas com a experiência de quem utiliza o transporte diariamente. Para o Sindipetro, a redução da qualidade do serviço não pode ser tratada como consequência inevitável de alterações contratuais ou de critérios de operação.

“Os trabalhadores não podem ser ignorados quando mudanças dessa magnitude são feitas. O sindicato foi chamado a conhecer os veículos após a contratação. Já nessa ocasião apontamos a deficiência no espaço e tamanho dos bancos, mas a resposta foi de que a lotação baixa compensaria essa questão. Hoje percebemos que existe uma discrepância muito grande de lotação entre as linhas e que os problemas se amplificaram. Estamos falando de pessoas que utilizam esse transporte todos os dias para chegar e sair do trabalho”, afirmou Zanetti.

A pesquisa foi realizada em março de 2026 e os resultados foram encaminhados à Replan maio de 2026.

Sindicato atuará até a solução definitiva 

O Sindipetro Unificado afirma que continuará acompanhando o sistema e cobrando respostas céleres da Replan, já que é um assunto que se arrasta há algum tempo. A entidade considera que eventuais ganhos de eficiência ou redução de custos não podem ocorrer às custas do conforto e da segurança dos trabalhadores.

Para o sindicato, a experiência já mostrou que mudanças que representam retrocessos nas condições de trabalho precisam ser enfrentadas com organização e mobilização dos trabalhadores.

A entidade entende que a solução negociada é sempre o caminho mais adequado para que os problemas apontados sejam corrigidos, mas não se furtará a agir de maneira mais incisiva caso não haja respeito aos trabalhadores.

Posts relacionados

Sindipetro cobra solução para problemas no saldo AF da Replan

Vitor Peruch

Recap ignora compromisso e anuncia mudança no transporte sem debate

Vitor Peruch

Bronca do Peão: mérito, diversidade e isonomia na TE da Replan

Vitor Peruch