Nova direção do Sindipetro Unificado toma posse com forte recado em defesa da soberania nacional

Cerimônia marcou a posse de Steve Austin como coordenador-geral e reuniu trabalhadores, movimentos sociais, sindicatos e lideranças políticas

A cerimônia de posse da nova direção do Sindipetro Unificado reuniu trabalhadores, dirigentes sindicais, movimentos sociais e lideranças políticas em Campinas, marcando o início da gestão 2026–2029.
(Foto: Guilherme Weimann/Sindipetro Unificado)

A nova direção do Sindipetro Unificado iniciou oficialmente seu mandato neste sábado (29), em Campinas, com uma mensagem que ultrapassou os limites da categoria petroleira: defender a Petrobrás, a soberania nacional, os direitos dos trabalhadores e um projeto de desenvolvimento para o Brasil. A cerimônia marcou a posse de Steve Austin como coordenador-geral da entidade para a gestão 2026–2029 e reuniu representantes de movimentos sociais, sindicatos, centrais sindicais e lideranças políticas.

Realizada em ano eleitoral, a cerimônia foi organizada como um espaço de diálogo político e de apresentação das pautas que estarão no centro da atuação sindical nos próximos três anos. Ao longo da manhã, representantes da FUP, CUT, MST, MAB, MPA, MTST e CNQ, dos metalúrgicos, do Sinticom, entre outras organizações, participaram das atividades, ao lado de petroleiros da ativa, aposentados e convidados.

A programação começou com a participação dos movimentos sociais e entidades parceiras. As falas abordaram temas como soberania, combate à fome, direitos trabalhistas, transição energética justa e organização popular, reforçando a aproximação histórica entre o movimento petroleiro e outras frentes de luta social.

FUP e Ineep apresentam plataforma para o debate eleitoral

Um dos principais momentos da cerimônia foi a apresentação da plataforma elaborada pela FUP e pelo Instituto de pesquisa em petróleo, gás e biocombustíveis (Ineep), com 50 propostas para o desenvolvimento do país, a política energética e a destinação da riqueza gerada pelos recursos naturais brasileiros.

Mahatma Ramos, coordenador técnico do instituto, apresentou os principais eixos do documento, que reúne propostas relacionadas à soberania energética, ao desenvolvimento nacional, à distribuição de riqueza e à transição energética. A plataforma será levada pela categoria ao debate eleitoral e apresentada a candidatos aos diferentes cargos em disputa que tenham compromisso com a pauta da categoria petroleira.

Ramos destacou a necessidade de colocar os trabalhadores no centro da discussão sobre a transição energética: “Não haverá transição energética justa sem os trabalhadores, sem as trabalhadoras, sem justiça social”, afirmou.

Na sequência, Cibele Vieira, coordenadora-geral da FUP, fez uma análise do cenário político nacional e internacional e ressaltou a importância da organização dos trabalhadores diante das disputas que envolvem o futuro do país.

“Estamos numa disputa, sim”, afirmou Cibele, ao defender que o movimento sindical participe ativamente da construção de um projeto nacional e não se limite às pautas corporativas.

A dirigente também recuperou o período de ataques à Petrobrás e lembrou a resistência dos trabalhadores diante das privatizações e do desmonte da empresa. Para ela, a permanência da estatal como patrimônio público também é resultado da mobilização da categoria.

“A gente nada mais quer do que um destino justo ao fruto do trabalho da classe trabalhadora”, afirmou Cibele, ao defender que a riqueza produzida pelo país seja utilizada em benefício da população.

Candidatos apresentam saudações

A presença de lideranças políticas reforçou a dimensão política da atividade. Candidatos estaduais e federais convidados fizeram saudações aos participantes e receberam a plataforma da FUP e do Ineep.

Fernanda Souto destacou a relação entre a defesa da Petrobrás e os interesses dos trabalhadores: “Defender a Petrobrás é defender os trabalhadores que fazem dessa uma das maiores estatais do Brasil”, afirmou.

Pedro Tourinho ressaltou a relação construída com o sindicato e defendeu que as organizações dos trabalhadores também participem da formulação de projetos para o futuro: “Nós estamos vivendo um momento que pede que sindicatos como esse assumam e, ao mesmo tempo, formulem e organizem o projeto que nós queremos para o futuro.”

Paola Miguel levou para o debate a necessidade de planejamento para a transição energética em Campinas: “Esse programa de transição energética que a gente precisa colocar em curso no Brasil é fundamental nesse momento da cidade.”

Simone Nascimento destacou a atuação contra privatizações e afirmou que o grupo esteve ao lado dos trabalhadores em diferentes disputas políticas: “Sempre estivemos ao lado dos trabalhadores organizados”, afirmou, ao citar enfrentamentos contra privatizações e outras pautas sociais.

Antônio Neto destacou a importância da disputa por representação política no Senado: “São Paulo, o Senado perdeu o protagonismo”, afirmou.

Mariana Conti relacionou a defesa da soberania e dos direitos sociais à solidariedade internacional: “A defesa da soberania nacional hoje passa pela solidariedade profunda entre os povos que estão sendo atacados, passa pela solidariedade com a Palestina, com Cuba, com o Irã, com a Venezuela. O que vemos hoje é um laboratório de desenvolvimento de armas, de controle de território, de um regime de apartheid que eles estão exportando para o mundo. Nós estamos vivendo a palestinização do mundo.”

Representando o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wellington destacou a convergência entre as categorias: “A luta na categoria petroleira é uma luta em defesa da soberania, da democracia, da transição energética justa.”

Esteliano Gomes, da CUT, também ressaltou a defesa dos recursos estratégicos brasileiros: “Não está à venda nem a água, nem a energia, nem o petróleo, nem os nossos direitos.”

Steve Austin assume coordenação-geral

Depois das manifestações e da entrega da plataforma, chegou o momento central da cerimônia: a apresentação da nova direção do Sindipetro Unificado. Steve Austin assumiu oficialmente a coordenação-geral da entidade, ao lado dos demais integrantes da gestão 2026–2029.

A nova direção é formada por 96 integrantes, que foram chamados ao palco em blocos para o registro coletivo. Sem discursos individuais, a apresentação buscou simbolizar a dimensão coletiva da gestão e da representação sindical.

Em sua fala, Steve recuperou diferentes momentos da história de mobilização dos petroleiros, incluindo greves realizadas durante a ditadura, a luta pela Constituinte, a resistência ao Plano Collor e a greve de 1995 contra a privatização da Petrobrás.

“Essa categoria tem uma história, uma história de luta que se confunde com a história de luta da classe trabalhadora”, afirmou.

Ao falar sobre a construção coletiva do sindicato, Steve também trouxe uma dimensão menos habitual ao discurso sindical, destacando o papel das relações humanas na organização dos trabalhadores: “O sindicato nada mais é que a junção de afetos. Quando as pessoas se juntam para se organizar e lutar, é porque tem um mínimo de afeto.”

O novo coordenador-geral afirmou que a atuação da entidade deverá continuar combinando a defesa dos direitos específicos da categoria com uma agenda mais ampla, relacionada ao futuro da Petrobrás e do país. “A gente tem que ir para a sociedade defender a soberania e essa empresa estatal de energia”, disse.

Steve também relacionou a nova gestão ao calendário eleitoral e aos desafios políticos dos próximos meses. Ao final de sua fala, convocou a categoria para uma atuação mais ampla na disputa de projetos para o país: “Temos 40 dias para derrotar o fascismo. E não é só derrotar para o Brasil, é derrotar para o mundo.”

Uma nova gestão com compromisso coletivo

As falas finais também foram marcadas pela participação das três regionais do sindicato, antes do encerramento conduzido por Steve Austin. A nova direção reafirmou o compromisso com a organização dos trabalhadores, a defesa da Petrobrás e a construção de uma agenda de desenvolvimento nacional.

A cerimônia terminou com uma fotografia coletiva da nova direção e dos convidados, seguida pelo tradicional grito de guerra dos petroleiros. O almoço e a confraternização encerraram a programação.

Mais do que apresentar os responsáveis pela gestão que começa agora, a cerimônia buscou marcar publicamente os compromissos políticos que deverão orientar o Sindipetro Unificado nos próximos três anos: defesa da Petrobrás pública, a soberania energética, a valorização do trabalho, a reestatização e construção de um projeto de desenvolvimento para o Brasil.

 

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