Petroleiros e petroleiras demitidos na greve de 1983 marcaram presença em ato sobre Anistia e reforçaram importância da memória histórica para a defesa da democracia

“É uma questão a ser lembrada para que as atrocidades que aconteceram no passado não se repitam”, afirmou o petroleiro Luciano Zica no encontro “47 anos da Lei da Anistia: Verdade, Memória e Justiça de Transição” realizado nesta sexta-feira, 28 de agosto na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), no Largo São Francisco, em São Paulo.
A atividade marcou os 47 anos da Lei nº 6.683, sancionada em 28 de agosto de 1979 e que teve um papel muito importante na redemocratização do país. A anistia alcançou os demitidos da Petrobrás da greve de 1983, ocorrida na Refinaria de Paulínia (Replan), e sucedida por forte repressão do ditador João Batista Figueiredo (1979-1985). Mas não foi automático, foi fruto de enorme luta dos trabalhadores e trabalhadoras, que continuam lutando pela memória e pela justiça de transiçao. Em Campinas, essa luta é realizada por meio do Sindipetro Unificado e, mais recentemente, também pela Associação dos Anistiados Políticos Petroleiros da Refinaria de Paulínia da Greve de 1983 (RELUTE).
https://www.instagram.com/reel/DcmTqiuBaLX/?igsi=MXJpeDRzdTkzc3Fkbw==
Antônio Jesus Alencar Ferreira, um desses demitidos, esteve presente no ato e afirmou: “É importante estar aqui para que as novas gerações não esqueçam da luta por uma sociedade mais justa, a luta por condições melhores de vida, a luta pelo Estado Democrático de Direito, para melhorar as condições de vida da classe trabalhadora”. Mas para o petroleiro isso não pode ser feito só a partir dos petroleiros: “nunca podemos esquecer que nós temos que ver sempre toda a sociedade, que foi aquilo que sempre motivou a luta da classe petroleira em defesa da Petrobrás, em defesa da nossa soberania, em defesa de uma nação forte e pujante”.
A petroleira Sandra Zamarioli Lopes, afirma que a de 83 foi uma greve completamente política: “Nós não estávamos reivindicando salários, estávamos contra o FMI e outra série de coisas num momento muito difícil para o Brasil, numa ditadura civil militar, e hoje nós estamos aqui com muito orgulho, porque já não somos novos, mas continuamos lutando pela Petrobrás, para que fique essa democracia que está meia bamba e lutando pela soberania nacional”.
Zica reforça a importância desse legado de luta para o futuro das novas gerações: “Temos que pensar sempre no que aconteceu no passado, guardar esse legado, para construir a democracia e mantê-la, já que sempre está sob ameaça, como no momento atual que estamos vivendo”.
Confira a íntegra do evento:
