Sindipetro cobra efetivo, direitos e fiscalização de contratos da Transpetro

Em reunião com Relações Sindicais, sindicato também cobrou informações sobre o novo concurso aberto e relação com o atual efetivo, homologação de demissões presenciais e condições dignas para trabalhadores do setor privado

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“A valorização da Transpetro, passa por uma gestão que entenda a importância dessa empresa dentro do Sistema”, afirmou Rodrigo Araújo, diretor do Sindipetro Unificado (Foto: Roberto Parizotti)

O Sindipetro Unificado voltou à mesa de negociação com a Transpetro, em reunião realizada no dia 17 de agosto com a área de Relações Sindicais, para cobrar respostas sobre efetivo, direitos previstos em acordo coletivo e condições de trabalho nas empresas contratadas.

A reunião dá continuidade à agenda de diálogo que vem sendo mantida pelo sindicato com a Transpetro. Em julho, a entidade já havia levado à Gerência Geral uma pauta que incluía infraestrutura, segurança, efetivo, regime de confinamento e contratos de trabalho. Agora, as cobranças avançaram sobre questões que atingem tanto trabalhadores próprios quanto trabalhadores do setor privado.

Participaram da reunião os diretores do Sindipetro Unificado Rodrigo Araújo, Verenissimo Barçante, José dos Santos, Edirlei Crepaldi, Lucas Mazoti, Wagner Flausino e Rogério Ribeiro.

Efetivo volta ao centro da cobrança

Uma das principais preocupações apresentadas pelo sindicato foi a necessidade de recomposição do efetivo da Transpetro. A entidade cobrou informações e providências diante da defasagem de trabalhadores em determinadas atividades e relacionou a discussão ao concurso atualmente aberto pela companhia.

Para o sindicato, a recomposição do quadro não pode ser tratada apenas como uma questão administrativa. Em uma empresa cuja atividade envolve transporte, armazenamento e movimentação de combustíveis e outros produtos, o número de trabalhadores disponíveis tem relação direta com a segurança e com as condições em que as operações são realizadas.

A questão do efetivo já vinha sendo apresentada pela entidade nas agendas anteriores com a Transpetro. A cobrança agora é para que a abertura do concurso se traduza em recomposição efetiva das equipes e em melhores condições para quem permanece na operação.

Adicional de dutos

Outro ponto levado à reunião foi o cumprimento do adicional de dutos previsto no Acordo Coletivo de Trabalho.

O Sindipetro Unificado cobrou a continuidade do grupo de trabalho constituído para discutir o tema e a realização da próxima reunião, de forma a dar sequência às tratativas e buscar o cumprimento do que está previsto no acordo.

A preocupação do sindicato é evitar que um direito estabelecido coletivamente permaneça sem encaminhamento. A entidade seguirá acompanhando o calendário das discussões e cobrando avanços junto à empresa.

Homologações devem voltar ao sindicato

O sindicato também colocou em pauta a forma como são realizadas as homologações de trabalhadores desligados da Transpetro.

A entidade defende que o procedimento deixe de ser realizado de forma remota e volte a ocorrer presencialmente no sindicato. A medida, segundo o Sindipetro Unificado, permite maior acompanhamento da situação do trabalhador no momento do desligamento e fortalece a atuação sindical na conferência dos direitos envolvidos.

Para o sindicato, a presença física também possibilita que o trabalhador tenha acesso direto à orientação da entidade em um momento particularmente sensível da relação de trabalho.

Novos contratos não podem significar precarização

A discussão sobre contratos ganhou peso na reunião. O Sindipetro Unificado voltou a cobrar que os novos modelos de contratação adotados pela Transpetro levem em consideração não apenas preço e eficiência operacional, mas também as condições de quem executará os serviços.

Na avaliação da entidade, contratos devem prever condições capazes de assegurar salários e benefícios adequados, segurança e bem-estar aos trabalhadores. A preocupação é evitar que a redução de custos seja obtida às custas da remuneração, da jornada ou das condições de trabalho.

O tema já havia aparecido na reunião de julho, quando o sindicato chamou atenção para os impactos de contratos atuais e futuros nas unidades da Transpetro. A nova reunião reforçou a necessidade de acompanhar de perto as contratações e a execução dos serviços terceirizados.

Caso Vix expõe preocupação com jornada e horas extras

Entre os contratos que mais preocupam o sindicato está o da Vix, responsável por serviços de transporte vinculados à Transpetro.

A situação dos trabalhadores da empresa já havia sido levada ao conhecimento público pela seção Bronca do Peão, do Sindipetro Unificado. Em carta publicada em 13 de agosto, um trabalhador relatou um modelo de controle da jornada baseado em uma meta mensal de 188 horas. Segundo o relato, o mecanismo permitiria que jornadas muito superiores à jornada diária habitual não resultassem necessariamente no pagamento de horas extras, desde que o total mensal permanecesse dentro da meta estabelecida.

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O problema, portanto, não estaria apenas em trabalhar mais em determinados dias, mas na forma como essas horas são contabilizadas ao longo do mês. Na situação descrita pelo trabalhador, uma jornada que se estende por muitas horas além do horário regular pode acabar sendo compensada pela quantidade de horas realizadas em outros dias, sem que o trabalhador receba pelas horas excedentes.

A denúncia não é nova. Em setembro de 2025, trabalhadores já haviam relatado ao Sindipetro Unificado problemas relacionados ao contrato da Vix, incluindo mudanças na jornada, redução da possibilidade de realização de horas extras e outras alterações nas condições de trabalho.

Agora, o sindicato volta a colocar o tema na mesa de negociação com a Transpetro. A cobrança parte de uma questão central: a responsabilidade pelas condições de trabalho não termina na assinatura do contrato com a empresa terceirizada.

Para o Sindipetro Unificado, a Transpetro precisa fiscalizar de maneira efetiva o cumprimento das condições estabelecidas nos contratos e garantir que a terceirização não seja utilizada como caminho para precarizar relações de trabalho.

Uma agenda que ultrapassa os muros da Transpetro

A reunião de agosto reforça uma linha de atuação que o Sindipetro Unificado vem adotando nas conversas com a companhia: tratar as condições de trabalho como uma questão que envolve toda a cadeia operacional.

De um lado, estão as cobranças relacionadas aos empregados próprios — como recomposição do efetivo, cumprimento do acordo coletivo e acompanhamento dos desligamentos. De outro, estão os trabalhadores das empresas contratadas, que também participam diariamente da operação e estão sujeitos aos modelos de jornada, remuneração e benefícios definidos nos contratos.

É nesse ponto que o sindicato concentra uma de suas principais preocupações: novos contratos não podem representar retrocessos para quem trabalha. A busca por eficiência operacional, na avaliação da entidade, precisa caminhar junto com segurança, remuneração justa, direitos trabalhistas e respeito aos trabalhadores.

É o que aponta o diretor do Unificado, Rodrigo Araújo, presente na reunião: “O sindicato está utilizando de todas as suas ferramentas para defender os direitos de todos os trabalhadores dentro do Sistema Petrobrás. A valorização da Transpetro, passa por uma gestão que entenda a importância dessa empresa dentro do Sistema!”

O Sindipetro Unificado seguirá acompanhando os encaminhamentos discutidos com a Relações Sindicais da Transpetro e cobrando respostas para as demandas apresentadas, tanto em relação aos empregados próprios quanto aos trabalhadores do setor privado que atuam nas operações da companhia.

 

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