17 anos de unificação: A construção de um sonho

Foto Maycon Soldan
Petroleiros: tradição de luta / Foto Maycon Soldan

 

Por Norian Segatto

Era uma madrugada fria de julho quando centenas de militantes da categoria petroleira se dirigiam para as duas refinarias, sete terminais e três escritórios administrativos. Carregavam o orgulho de um sonho alcançado e uma esperança de futuro: naquele 22 de julho de 2002 começava a eleição para a escolha da primeira diretoria do Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo, fundindo as bases de Campinas, São Paulo e Mauá.

Pouco mais de um mês depois, em 26 de agosto, era oficialmente fundado o Sindipetro Unificado, que esta semana completou 17 anos.

Se hoje temos um Sindicato forte, atuante e consolidado, o caminho não foi simples. Foram mais de seis anos de elaboração, aprofundamento dos debates, idas e vindas para a construção da unidade dos três sindicatos.

Greve de 1995: ataques do governo demonstraram importância da unificação

Em julho de 1996, o Congresso Estadual da categoria definiu a abertura do processo de unificação, mas para se chegar a essa posição no Congresso muita conversa aconteceu nos meses anteriores para se criar consensos mínimos. Era uma época conturbada para a organização sindical petroleira, que tinha passado pela maior greve de sua história um ano antes, movimento que ainda deixava sequelas. “Aquela greve nos mostrou a importância de estarmos mais unidos organicamente para enfrentar os ataques que continuariam a vir do governo FHC”, relembra Antonio Carlos Spis.

A partir do ano 2000, uma comissão eleita especificamente para coordenar o processo de unificação, tarefa bastante complexa e trabalhosa. E nem sempre foi possível conciliar todos os interesses e visões políticas sobre o processo, durante os embates, dois dos cinco sindicatos que haviam no Estado, recuaram. A direção de São José dos Campos oficializou sua saída no início do ano 2000. Foi um baque para toda a organização, ainda mais pelo fato de um diretor do sindicato de São José ser o coordenador da Comissão de Unificação. Meses depois, outra entidade, o Sindipetro Litoral Paulista, saiu do processo. São Paulo, Campinas e Mauá decidiram continuar e enfrentar todos os desafios.

Mesmo com esses contratempos, com as direções tendo de aliar o processo de unificação com o dia a dia da representação da categoria e com questões espinhosas para resolver como o equilíbrio de representação entre os sindicatos, finanças, organização das atividades etc. o processo avançou.

“Se hoje podemos comemorar 17 anos de Sindipetro Unificado, foi pela valentia, teimosia e coragem de muitos companheiros, que não desistiram dos sonhos, mesmo quando parecia impossível, essa é uma boa lição para os tempos difíceis e incertos que estamos vivendo”, afirma o atual coordenador do Unificado, Juliano Deptula.