Sindipetro-SP lança edição comemorativa do Jornal Petroleiros sobre a greve de 2020

Um ano depois, especial de oito páginas retoma principais momentos da paralisação, seus resultados concretos e a união que se formou dentro da categoria

Há exatamente um ano, a categoria petroleira protagonizava uma das maiores mobilizações de sua história. Durante os 20 primeiros dias de fevereiro, trabalhadores de todas as regiões do país foram se incorporando à greve que teve como estopim o fechamento da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR), localizada no município paranaense de Araucária.

No total, participaram cerca de 20 mil petroleiros espalhados por mais de 120 unidades do Sistema Petrobrás. Além disso, houve diversas manifestações de solidariedade, principalmente no acampamento que se formou em frente ao Edifício Sede da Petrobrás (Edise), onde cinco dirigentes sindicais ocuparam uma sala.

A repressão, entretanto, foi proporcional à adesão dos trabalhadores. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) chegou a considerar a greve como ilegal e tentou impor a manutenção de 90% do efetivo sob pena de multa aos sindicatos.

Internamente, as represálias também ocorreram. A Petrobrás chegou a aplicar punições a seis trabalhadores, o que contradizia o acordo mediado pelo TST ao final da paralisação. Entretanto, a ofensiva teve um movimento reverso e apenas potencializou a solidariedade entre os petroleiros.

Para contar (e recontar) toda essa história, o Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP) lança essa edição especial, número 1120, do Jornal Petroleiros.

A versão digital pode ser lida aqui.

EDITORIAL [Página 2]

Este sindicato já fez o resgate histórico das greves de 1983, 1995, 2009 e agora chega a vez de marcar a greve de 2020 em nossas memórias para nunca mais esquecer. A segunda greve mais longa de nossa história rompeu recordes de adesão em relação às últimas, demonstrou união e auto-organização, aproximou companheiros e familiares, nos fez sentir vivos.

ENTREVISTA [Página 2]

O ano de 2020 mal havia começado quando cinco sindicalistas ocuparam uma sala do Edifício Sede da Petrobrás (Edise), no Rio de Janeiro (RJ). Este ato foi o prenúncio do que se consolidaria como uma das maiores greves da história da categoria petroleira.

Uma das integrantes deste seleto grupo foi a diretora do Sindipetro-SP, Cibele Vieira. Nesta entrevista, a petroleira defende que a mobilização resultou em uma mudança concreta nas negociações com a estatal: “o saldo acumulativo da paralisação é a mudança na relação de forças e a forma como a gestão da empresa enxerga o movimento sindical”. Saiba mais

ENTREVISTA [Página 3]

Quando não se alcança a pauta de reivindicações, a greve foi derrotada? Ao avaliar um movimento apenas com um olhar pragmático, a resposta tende a ser ‘sim’. Mas o petroleiro aposentado Antônio Carlos Spis, coordenador da Federação Única dos Petroleiros na histórica greve de 1995, tem outra visão.

Para ele, somente o tempo é capaz de definir o sucesso de uma paralisação, que muitas vezes tem o papel de demonstrar a força da categoria, ainda que não tenha alcançado o objetivo ao qual se propôs.

LINHA DO TEMPO [Páginas 4 e 5]

A greve nunca começa ou termina nos dias oficiais que ficam posteriormente marcados na história. Além disso, ela nunca é homogênea, vai ganhando e perdendo força conforme o poder de mobilização dos trabalhadores. Apoios, ataques do judiciário, ofensiva da empresa… alguns desses elementos foram resgatados nessa arte que traça uma linha do tempo da segunda greve mais longa da categoria petroleira.

SOLIDARIEDADE [Página 6]

‘Detalhista’, ‘estudioso’, ‘minucioso’, ‘responsável’. Esses são adjetivos repetidos pelos companheiros quando se referem ao trabalho de *Lopes, petroleiro ao estilo antigo para quem o conhecimento técnico é sinal de respeito e o bom trabalho é questão de honra.

Não é incomum vê-lo com uma pasta na Refinaria de Paulínia (Replan), onde carrega os manuais com procedimentos e informações técnicas sobre as máquinas que irá operar. Assim como é trivial observá-lo anotar dados sobre os equipamentos.

Por conta disso, a punição durante a greve de janeiro de 2020 (leia mais nas páginas 4 e 5) soou como uma afronta. Sem dar brechas a críticas por conta do desempenho, Lopes incomodou a direção por ser leal à categoria. Saiba mais

DICA CULTURAL [Página 7]

Muitas vezes, a memória dos trabalhadores se entrelaça e se confunde com a das greves. Estas, por sinal, acabam servindo como importantes marcas para definir períodos históricos da luta de classe ao redor do mundo.

Para jogar luz a algumas dessas narrativas, e como forma de celebrar o aniversário de um ano de uma das maiores greves da categoria petroleira, a reportagem listou oito filmes nacionais e internacionais que estão disponíveis gratuitamente na internet. Saiba mais

RETIRADA DE DIREITOS [Página 8]

Suspensão do contrato de trabalho por até quatro meses, carteira de trabalho precária para jovens de 19 a 29 anos, redução de salários, ‘tarifaço’ nas contas de luz e fim do auxílio emergencial. Além de vidas, o governo federal comandado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) retirou diversos direitos listados pela reportagem.

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