Petroleiros e caminhoneiros cobram de Bolsonaro fim de preços abusivos de gás e diesel

Trabalhadores das duas categorias estiveram juntos em dia de mobilizações por todo o país

Distribuição de gás a preço justo aconteceu em todo país, como alerta aos preços abusivos definidos pela Petrobrás (Foto: FUP)

*Com informações da FUP

Os sindicatos filiados à Federação Única dos Petroleiros (FUP) promoveram nesta segunda-feira (1º), primeiro dia da greve dos caminhoneiros, atos de apoio às mobilizações com a distribuição de gás de cozinha, cestas-básicas e marmitas.

A luta conjunta das categorias tem como alvo barrar a política de preços adotada pela Petrobrás, que provoca aumentos abusivos sobre os derivados de petróleo e gera impacto no valor de produtos como o óleo diesel e o gás de cozinha.

Desde 2016, as gestões de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (sem partido) praticam o Preço de Paridade de Importação (PPI), que varia conforme o valor do barril de petróleo no mercado internacional, as oscilações do dólar e dos custos de importação.

Os petroleiros também alertam que os reajustes frequentes e abusivos fizeram o preço do botijão de gás subir em mais de 130% desde julho de 2017, e a gasolina e o diesel sofrerem reajustes nas refinarias de 60% e 43%, respectivamente (saiba mais aqui).

Já o preço do barril do petróleo aumentou 15,40% neste mesmo período e a inflação medida pelo INPC (IBGE) ficou em 15,02%.

A resposta aos aumentos e reajustes no preço do petróleo veio nas ruas e, nesta segunda-feira, os sindicatos de petroleiros realizaram ações de solidariedade em que subsidiaram a distribuição de 1.180 botijões de gás, doados ou vendidos a preço abaixo do praticado pelas distribuidoras.

Ações pelo Brasil

Em Vitória, no Espírito Santo, o Sindipetro-ES realizou uma carreata com motoristas de aplicativos, que receberam vales para abastecimento de combustíveis. Ao todo, 100 motoristas obtiveram descontos limitados a 20 litros para carros e a 10 litros para motocicletas.

Em Salvador, também houve o mesmo tipo de ação com descontos no abastecimento de até 20 litros para 100 automóveis e 10 litros para 100 motocicletas, ao preço de R$ 3 o litro. Além disso, o Sindipetro-BA distribuiu 230 botijões de gás no bairro de Pituaçu, ao preço de R$ 40, menos da metade do que as distribuidoras cobram na região.

Em Belo Horizonte, o Sindipetro-MG subsidiou 100 botijões de gás para movimentos de luta por moradia, sendo que 50 foram distribuídos pela manhã, na comunidade Pedreira Prado Lopes, e outros 50 ainda serão distribuídos na parte da tarde, na região do Barreiro.

No Recife, além da doação de 50 botijões para famílias em vulnerabilidade social, o Sindipetro PE/PB distribuiu 200 marmitas para caminhoneiros que participavam do ato, em parceria com o Projeto Mãos Solidárias, do Armazém do Campo.

Em Manaus, foram doadas 30 cestas básicas, e em Mossoró, no Rio Grande do Norte, os petroleiros realizaram um protesto contra o avanço da covid e as mais de 220 mil mortes pela doença, exigindo o afastamento do presidente Jair Bolsonaro.

Ainda pela manhã, houve a distribuição de mais 200 botijões de gás, ao custo de R$ 35, para famílias em situação de vulnerabilidade social do Jardim São Bento, na região de Padre Miguel, no Rio de Janeiro. A ação foi realizada pelo Sindipetro-NF e pelo Sindipetro Duque de Caxias. Na Baixada Fluminense, em ações organizadas pelos petroleiros foram distribuídas 100 cestas básicas e mil máscaras de proteção contra o coronavírus.

Na cidade de São Paulo, o Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo (Unificado-SP) dá continuidade à campanha iniciada no início da pandemia e a distribuição de 200 botijões para as comunidades do Itaim Paulista e do Grajaú acontecerá na terça (2) e na quarta-feira.

Leia também: CUT Campinas e sindicatos da região aderem à solidariedade durante a pandemia

Na região Sul, em Curitiba (PR), a ação solidária dos petroleiros entregará 300 botijões de gás para comunidades em vulnerabilidade social e na cidade de Porto Alegre (RS), a ação ocorre no final da tarde de segunda-feira com a distribuição de 100 botijões de gás no município de Esteio.

Caminhoneiros

No 1º dia desta greve dos caminhoneiros, houve paralisações em rodovias para cobrar o cumprimento da pauta da categoria – que inclui a efetiva aplicação do piso mínimo do frete, uma nova política para o reajuste do preço do óleo diesel, a implementação um marco regulatório do transporte e a aposentadoria especial do transportador autônomo rodoviário de cargas.

Pela manhã, paralisações foram registradas na BR-304/RN, na região de Mossoró, no Rio Grande do Norte e também na BR-060/GO, na região de Guapó, em Goiás.

Houve ainda manifestações no estado da Bahia, na região metropolitana de Salvador e nas cidades de Juazeiro, Riachão do Jacuípe e Vitória da Conquista.

Em São Paulo, uma decisão do Tribunal de Justiça determinou a aplicação de multa de R$ 10 mil para pessoas físicas e R$ 100 mil para pessoas jurídicas envolvidas nas mobilizações. Também no Paraná, três decisões judiciais proibiram bloqueios nas rodovias Litoral Sul (BR-376), Planalto Sul (BR-101), e Régis Bittencourt.

Secretária de Administração e Finanças da FUP e diretora do (Unificado-SP) Cibele Vieira destaca as pautas de luta que unificam petroleiros e caminhoneiros.

“Em 2018 quando os caminhoneiros entraram em greve, quando já estava em pauta a questão do diesel, já denunciávamos que o que levava àquela ação era a política de preços da Petrobrás. Há pautas comuns entre as duas categorias, em especial, a necessidade de a Petrobrás praticar preços justos e ter papel de abastecer mercado nacional. Há como a empresa amortecer altas e quedas, mantendo preço na média”, defendeu.

A dirigente ressalta ainda que o argumento utilizado por Bolsonaro, de mexer nos impostos para baixar preços, não é uma decisão que dependa exclusivamente do presidente.

“No início da greve, os caminhoneiros já colocavam a questão dos impostos, mesmo com eles existindo quando o preço era menor. O que mudou foi a política de preços da Petrobrás, e vemos o Bolsonaro falando que vai mexer no PIS e Cofins, mas isso precisa passar pelo Congresso. O que ele pode fazer, basta querer, é conversar com a empresa, que é estatal para atender ao povo brasileiro”, acrescenta.

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