FUP apoia greve dos caminhoneiros com ações pela redução dos preços dos combustíveis

Os protestos dos sindicatos ligados à Federação Única dos Petroleiros estão ocorrendo em forma de solidariedade, com doações e vendas subsidiadas de botijões de gás, descontos na compra de gasolina e diesel e distribuição de cestas básicas

Em pouco mais de três anos, o gás de cozinha aumentou 130% e o diesel 42% (Foto: Eric Gonçalves/Sindipetro-SP)

Por Federação Única dos Petroleiros

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) e seus sindicatos estão realizando diversas ações, nesta segunda-feira (1), pela redução dos preços dos derivados de petróleo e em apoio à paralisação dos caminhoneiros.

Ao longo do dia, ocorrerão protestos em diversos estados do país, com doações e vendas subsidiadas de botijões de gás, distribuição de cestas básicas, descontos para compra de gasolina e diesel, campanhas de conscientização sobre os impactos sociais do desmonte do Sistema Petrobrás, entre outras ações de solidariedade voltadas para as comunidades que mais sofrem com os preços abusivos dos combustíveis e as altas taxas de desemprego.

A política de reajuste dos derivados de petróleo que as gestões neoliberais da Petrobrás adotaram para satisfazer o mercado e os acionistas privados virou um pesadelo para a população brasileira e é um dos principais motivos da greve dos caminhoneiros, que conta com o apoio da FUP.

Leia também: Famílias paulistanas enfrentam preços abusivos do gás de cozinha

Levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) revela que entre julho de 2017 e janeiro de 2021, sob o comando dos governos Temer e Bolsonaro, a direção da estatal aumentou em 59,67% o preço da gasolina nas refinarias. O diesel sofreu reajustes de 42,64% e o gás de cozinha subiu 130,79%. Já o preço do barril do petróleo acumulou reajustes de 15,40% neste mesmo período e a inflação medida pelo INPC (IBGE) ficou em 15,02%.

Essa disparidade é resultado da mudança na política de preços da Petrobrás, que a FUP e seus sindicatos denunciam desde 2016, quando a gestão que assumiu a empresa após o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff impôs o Preço de Paridade de Importação, que varia conforme as oscilações do valor do barril de petróleo no mercado internacional, do dólar e dos custos de importação, o que faz com que os reajustes sejam frequentes e abusivos.

“Por conta dessa política, estamos sofrendo com aumentos descontrolados dos derivados de petróleo, o que inviabiliza setores estratégicos da economia, além de afetar massivamente a população”, alerta o coordenador da FUP, Deyvid Bacelar.

Reajustes constantes

Ainda de acordo com o Dieese, a gasolina sofreu 371 ajustes de preço desde julho de 2017, sendo que em 197 vezes o preço subiu e em outras 174 teve pequenos decréscimos. No caso do diesel, foram 290 ajustes de preços, 164 deles para cima. Já o gás de cozinha foi reajustado 30 vezes desde julho de 2017, sendo que 20 das alterações feitas pela gestão da Petrobrás foram para aumentar o preço do derivado. Ainda segundo o estudo, no governo Bolsonaro o diesel já subiu 17,20%, a gasolina 37,87% e o gás de cozinha, item essencial na cesta básica das famílias brasileiras, aumentou 43,61%.

A venda de ativos no Brasil e o foco na geração de lucro para acionistas está ampliando a dependência da Petrobrás do mercado internacional

Cloviomar Cararine, economista do Dieese

“A venda de ativos no Brasil e o foco na geração de lucro para acionistas está ampliando a dependência da Petrobrás do mercado internacional. O resultado disso é a aceleração dos reajustes de preços dos combustíveis no país, afetando diretamente as classes mais baixas, pelo efeito cascata gerado sobre a inflação de alimentos e outros gêneros de primeira necessidade”, alerta o economista do Dieese, Cloviomar Cararine, que assessora a FUP.

O Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (Ineep) também divulgou recentemente um estudo que aponta o Brasil como um dos países que tem o diesel mais caro entre os grandes consumidores do combustível, como Alemanha, Áustria, Dinamarca, Estados Unidos, França e Reino Unido. O levantamento, feito a partir de outubro do ano passado, revela que a alta do diesel no Brasil só não foi maior do que a da Alemanha.

“Quando comparamos os reajustes da gasolina e do diesel, nos últimos anos, observamos que o diesel teve um aspecto mais conservador. Mas a oscilação é muito semelhante, evidenciando que a política da Petrobrás de alinhar os preços internos à cotação internacional do barril traz profunda oscilação e volatilidade ao mercado interno”, afirma Cararine.

Posts relacionados

Petrobrás divulga fake news sobre tabelas de turno para seus trabalhadores

Guilherme Weimann

Caravana unificada tem saldo positivo contra terceirizações em São Paulo

Andreza de Oliveira

FUP repudia 17ª Rodada de Licitações, que pode impactar áreas de reservas ambientais

Odara Monteiro