Após um ano de pandemia, Transpetro ainda não realiza testagem em seus trabalhadores

Diferentemente do restante da Petrobrás, subsidiária ainda não instituiu nenhuma política para a testagem em massa de todo o efetivo que trabalha presencialmente nos terminais da Transpetro

Apesar de trazer segurança aos trabalhadores, por identificar parte dos infectados com a covid-19, a testagem em massa ainda não foi implementada efetivamente nos terminais da Transpetro. Foto: Jefferson Peixoto

Por Andreza de Oliveira

No mês em que o anúncio oficial da pandemia de covid-19 feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) completa um ano, a Petrobrás, apesar de seguir com os protocolos de prevenção da doença, ainda não instituiu nenhuma política de testagem em massa para os trabalhadores de sua subsidiária integral, a Transpetro. 

Diferentemente do modelo adotado para as outras unidades do Sistema Petrobrás, como as refinarias e termelétricas, – que estão coletando, regularmente, testes para identificação da doença entre os trabalhadores – os terminais da Transpetro ainda não possuem o mesmo protocolo para o seu efetivo.

Para discutir o assunto e as possíveis medidas a serem tomadas para conter a propagação do vírus, reuniões periódicas eram realizadas com a Petrobrás desde o início da pandemia, quando, inclusive, houve um surto da doença no terminal da empresa em São Caetano do Sul. 

“Apesar da falta de testagem em parte do Sistema Único de Saúde (SUS), a Petrobrás havia adquirido cerca de 100 mil testes rápidos para seus funcionários. Contudo, até hoje, pouquíssimos foram destinados aos terminais da Transpetro”, comenta o diretor do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP), Felipe Grubba. 

As entidades sindicais responsáveis pelos trabalhadores da Petrobrás seguem exigindo um posicionamento da estatal perante a situação da Transpetro. Desse modo, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) cobrou a empresa durante a reunião com o grupo de Estrutura Organizacional de Resposta. Além disso, em 11 de março deste ano, o Sindipetro-SP enviou um ofício à companhia solicitando uma conferência para tratar sobre o assunto – que, até o momento, não foi respondido.

“O Sindicato está sempre cobrando e, até o momento, na Transpetro não foi adotado o procedimento que a Petrobrás já usa e que pode trazer um pouco mais de segurança ao trabalhador, ainda mais com essa nova cepa do vírus que é mais contagiosa”, critica Grubba. 

Com o avanço da pandemia, principalmente no estado de São Paulo – que bateu recorde de 2.548 mortes em uma semana -, o Sindipetro-SP mostra-se favorável ao endurecimento das medidas de contenção da doença, tal como a realização somente de atividades consideradas necessárias e emergenciais, visando assim, reduzir o número de trabalhadores saindo de casa e, eventualmente, se expondo ao vírus.

Demais medidas de proteção contra o contágio

Especialista em medicina do trabalho, professor da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) e assessor do Sindipetro-SP em questões relacionadas à saúde, o médico Adilson Campos alerta também para a importância da adoção de todas as medidas, que até agora se provaram eficazes para a contenção da covid-19, para uma proteção mais efetiva dos trabalhadores.

“É necessário que medidas de distanciamento e higiene sejam cumpridas, assim como o uso de máscaras corretas, que cubram nariz e boca, e que sejam trocadas a cada 4 horas”, explicou o médico informando que a lavagem correta das mãos tem duração de aproximadamente 30 segundos. 

Para ele, é dever da empresa prestar orientações corretas a respeito da prevenção do contágio aos petroleiros, como o uso de máscaras durante todo o expediente e, principalmente, sobre a circulação somente quando necessária, evitando sempre qualquer tipo de aglomeração. 

 

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